Cidades

Ações do GDF tentam evitar o avanço do desemprego por causa da pandemia

DF tem 331 mil pessoas à procura de trabalho, segundo a pesquisa mais recente da Codeplan, e a situação tende a se agravar devido aos impactos da pandemia no novo coronavírus. Medidas do Executivo local tentam impedir que cenário piore

Correio Braziliense
postado em 09/06/2020 06:00
pessoa andando em frente a agência do trabalhadorUm dos problemas mais graves do Distrito Federal, o desemprego se tornou preocupação maior para o Executivo local com a pandemia do novo coronavírus. O fechamento de grande parte do comércio por cerca de três meses complicou a situação de empresários — e fez com que mais pessoas ficassem sem trabalho. Em meio a um cenário incerto, tanto na saúde quanto na economia, ações do GDF tentam conter o avanço do problema e auxiliar quem está fora do mercado de trabalho a se manter ou a se inserir.

De acordo com a mais recente Pesquisa de Emprego e Desemprego, da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), havia 331 mil pessoas em busca de emprego no Distrito Federal em abril, o que representa taxa de 20,7%. No mesmo período do ano passado, eram 320 mil desempregados e a desocupação estava em 19,8%. Segundo a Codeplan, no entanto, a pesquisa ainda não reflete totalmente o impacto da pandemia e os números podem ser piores nas avaliações dos meses seguintes. Mesmo antes da crise, a questão era grave e busca por emprego ficava explícita nas longas filas formadas para entrega de currículos registradas ao longo do ano passado e no início deste ano.

Qualificação, fortalecimento do microcrédito e atendimento constante ao desemprego são algumas das prioridades atuais da Secretaria de Trabalho, garante o chefe da pasta, Thales Mendes. “Desenvolvemos uma rodada de conversação com o setor produtivo e o Sistema S para qualificar o trabalhador sob demanda de mercado. Fortalecemos o nosso programa de microcrédito orientado, Prospera, para fomentar o pequeno empreendedor”, destaca.

No Prospera, voltado para pessoas físicas ou jurídicas com empreendimentos de pequeno porte, o governo decidiu suspender todos os pagamentos de parcelas dos empréstimos em vigor durante a pandemia e por mais dois meses após o período de emergência. Os juros também foram cortados em 50% e agora são, em média, de 3%. A ideia é que, com a ajuda, os pequenos empreendedores possam garantir empregos e sobreviver durante a crise.

O secretário afirma também que, durante a pandemia, algumas ações diretas para os trabalhadores foram intensificadas pela pasta. “Mantivemos cinco agências do Trabalhador abertas (no início da pandemia), reforçamos os atendimentos remotos, como por site e aplicativos. E reforçamos nossa equipe de captação de vagas.”

Na qualificação, um programa voltado para mulheres — um dos grupos mais afetados pelo desemprego, segundo a Codeplan — foi lançado recentemente pelo GDF. A iniciativa, em parceria com empresas privadas, promove cursos e aulas de capacitação voltadas para o público feminino. Por causa da pandemia, o conteúdo é apresentado de forma on-line.

Atração

Iniciado antes da pandemia, o programa Emprega-DF também se tornou uma aposta do GDF para o problema do desemprego. A iniciativa oferece benefícios fiscais para empresas que firmem o compromisso de manter ou criar postos de trabalho. “O Emprega-DF vinha sendo estruturado e, neste momento, passa ter um papel até de governo solidário para atrair empresas e elas, por consequência, gerarem empregos para mitigar essa situação de dificuldade”, defende o secretário de Desenvolvimento Econômico do DF, José Eduardo Pereira Filho.

“Uma previsão pé no chão é de que ainda em 2020 o programa criar por volta de 5,9 mil empregos diretos pelos acordos que já foram assinados porque, mesmo diante do quadro de pandemia, continuamos a firmar esses protocolos”, diz o chefe da pasta. Segundo ele, até 2022, a expectativa é de 17 mil novas vagas. “Neste momento, além do Emprega-DF, todas nossas ações são pensadas levando em conta a questão do emprego, de captar investimentos e empresas para isso.”

Auxílio

Os programas de transferência de renda também estão entre as ações voltadas para reduzir o impacto do desemprego na capital. No mês passado, o governo local lançou o programa Renda Emergencial que tem o objetivo de atender até 28 mil famílias do DF — com renda de, no máximo, R$ 522,50 por pessoa — com auxílio de R$ 408 durante a pandemia. O programa é coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Social e a operação é feita pelo BRB. O programa é voltado a atender pessoas, como os desempregados, sem renda neste momento de pandemia e que não são atendidos pelos outros projetos sociais do GDF e do Governo Federal. Hoje, há 5.652 beneficiários.

Cesar Bergo, presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF), avalia que as medidas de transferência de renda são importantíssimas para a situação atual. “Esses auxílios são uma necessidade, até porque é preciso pensar no equilíbrio social. Sem eles, o problema vai ser muito grave, com pessoas passando fome e necessidades básicas, mas é preciso garantir a fiscalização para que o dinheiro vá para as pessoas que realmente precisam.”

A atuação do governo local para conter o desemprego e ajudar a economia durante a pandemia é vista de forma positiva pelo economista. “Há um esforço do governo para ajudar a melhorar a situação e alavancar setores que geram muitas vagas. O cenário é muito nublado e os meses de junho e julho serão muito difíceis, pensando em desemprego. A expectativa atual é de que em agosto possamos ver o começo da melhora”, analisa.

Esperança

O cozinheiro Marcelo Moura, 39 anos, está desempregado desde o segundo semestre de 2019. Ele deixou uma vaga fixa para abrir um negócio, mas o empreendimento não se sustentou. Desde então, Marcelo segue em buscas de novas oportunidades. “Antes da pandemia, conseguia sempre trabalhar como freelancer, mas agora tudo está parado”, conta.

Mesmo neste momento, Marcelo continua à procura de um novo emprego. “A maioria das pequenas empresas não estão contratando de jeito nenhum, mas sigo levando currículo e procurando.” Ele defende que o governo local ajude os empreendedores a conseguir crédito. “Tem muita gente fechando as portas por falta de dinheiro para se manter e isso diminui a oportunidade para nós. Na minha área de gastronomia, isso está acontecendo muito. Então, acho que é muito importante esse apoio do governo para que as vagas sejam abertas quando o coronavírus passar.”

Brandow Teixeira, 24, está desempregado há 1 ano e 9 meses. O último trabalho fixo foi como técnico terceirizado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Antes da pandemia, ele conta que conseguia alguma renda trabalhando como DJ. “Mas agora tudo está fechado e estou vivendo com a ajuda dos meus pais.”

Na visão dele, é fundamental que o governo ajude na busca de vagas e em pontos de apoio para desempregados, além da oferta de cursos. “Eu quero o mais rápido possível conseguir um emprego para fazer faculdade em uma área da saúde e melhorar minha qualificação”, planeja.

Duas perguntas para

Thales Mendes, secretário de Trabalho

Segundo a pesquisa mais recente, o desemprego aumentou no DF. Qual a avaliação da situação atual?
Obviamente, devido à pandemia, já esperávamos o aumento da taxa de desemprego. No entanto, o número ficou aquém do esperado (0,9%). Talvez pelo fato de Brasília ter um expressivo contingente de servidores públicos e uma baixa taxa de informalidade (28%, a segunda menor do país). Entendemos, ainda, que a taxa de emprego e desemprego é sazonal e tende a melhorar no segundo semestre de cada ano.

Há um cenário que indica possibilidade de um período difícil pela frente. O que pode ser feito para prevenir e tentar reduzir os impactos da crise?
Entendemos que alguns setores serão mais impactados que outros na crise. Outros cresceram na crise, como atendimento delivery, telemarkenting, área de saúde, supermercado, farmácia, aumentaram as contratações. Com a reabertura de comércio e serviço, os empreendedores têm de se reinventar. Com nosso programa de crédito, Prospera, para fomentar o pequeno empreendedor, nós reduzimos os juros de 7% para 3% ao ano. Não cobramos as parcelas devidas até dois meses após o encerramento do decreto do governo. Estamos com 15 agências do Trabalhador abertas e nos preparando para qualificar o trabalhador.


Fique de olho

Confira quais ações estão disponíveis para auxiliar quem está sem emprego e como buscar ajuda

  • Vagas
    A equipe Secretaria de Trabalho faz captação de vagas na capital. Os interessados podem ter acesso às oportunidades disponíveis por meio da Central Alô Trabalho (Telefone 158) e por meio da web, pelo aplicativo Sine Fácil. Também é possível se dirigir às agências do trabalhor. Atualmente, 15 delas estão abertas. Os endereços podem ser consultados em http://www.trabalho.df.gov.br/agencias/.

Qualificação
  • Sistema S
    A Secretaria de Trabalho oferece oportunidades gratuitas de qualificação em parceria com o Sistema S. Os cursos são voltados para pessoas de baixa renda. Informações sobre abertura de novas vagas e inscrições podem ser obtidas nas agências do trabalhador e nas unidades do Senai e do Sesc no DF.
  • Oportunidade Mulher
    Parceria da Secretaria da Mulher com empresas privadas oferece aulas e cursos gratuitos on-line voltados para o público feminino. As inscrições podem ser feitas pelo link https://forms.gle/W5YGuzrE7zqkSkQb9. Dúvidas sobre o programa também podem ser tiradas por ligação ou WhatsApp pelo número (61) 9 9315-7717.
  • Formando o futuro
    A Câmara Legislativa lançou projeto para ofertar cursos gratuitos de qualificação profissional para jovens on-line. As aulas estarão disponíveis no portal da Casa. A previsão é de que as inscrições sejam abertas na primeira semana de julho e a capacitação ocorra na segunda semana do mesmo mês.
  • Microcrédito
    O programa Prospera, da Secretaria de Trabalho, oferece microcrédito para a pessoas físicas ou jurídicas, das áreas urbanas e rurais, que tenham atividades produtivas de pequeno porte. Na pandemia, a taxa de juros foi reduzida para, em média, 3% ano. Mais informações podem ser obtidas nas agências de Taguatinga ( 3255-3790 / 3255-3791 – C4 Lote 3 Avenida das Palmeiras) e do Plano Piloto (3255-3789 ou 3255-3725 —SCS QD. 6 LT 10 e 11 ED. Guanabara Sobreloja).

Benefícios sociais

Renda emergencial
  • Apoio mensal de R$ 408 durante a pandemia para famílias com renda per capita de até meio salário mínimo que não recebam outros benefícios sociais do GDF e do Governo Federal. Há 5.652 beneficiários atualmente.

Cartão Prato Cheio
  • É voltado para as famílias inscritas no Cadastro Único de Benefícios Sociais com renda per capita de até meio salário mínimo. Ao todo, são oferecidos R$ 250 para uso restrito em estabelecimentos alimentícios. Do total, R$ 160 são referentes ao valor de cesta básica e R$ 90 ao projeto Pão e Leite. Atualmente, há 5.878 beneficiários.

As pessoas que se encontram desempregadas podem procurar as unidades socioassistenciais, como os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), para solicitar os benefícios assistenciais. Além do Renda Emergencial e do Cartão Prato Cheio, há programas instituídos antes da pandemia, como o DF sem miséria e o Bolsa Família.

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