Cidades

Suspensão das atividades comerciais chega ao fim em três regiões do DF

Termina o prazo estipulado pelo decreto do GDF que determinou a interrupção de atividades comerciais em Ceilândia, Sol Nascente e Estrutural. Para especialistas, o tempo de validade da medida é insuficiente para conter escalada da covid-19

Mariana Machado
postado em 11/06/2020 07:00
Dona de uma loja de artigos religiosos, Tatiane Jordão cobra que a população cumpra as medidas sanitárias, Encerra-se hoje o prazo estabelecido pelo Decreto n; 40.872/20, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), e que determinou a suspensão, por 72h, de todas as atividades comerciais e sociais em Ceilândia, Sol Nascente, e Estrutural. A medida foi tomada pelo governador Ibaneis Rocha numa tentativa de conter a transmissão do novo coronavírus nas cidades. Ceilândia e Sol Nascente lideram o ranking das regiões administrativas com mais casos, juntas, são 2.470 infectados, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado ontem, pela Secretaria de Saúde. Até o fechamento desta edição, a Estrutural tinha 395 ocorrências da covid-19.

Questionado, o Governo do Distrito Federal (GDF) não informou se a medida foi capaz de reduzir o número de casos na cidade. Mas, em nota oficial, a Secretaria de Saúde ressaltou estar atenta à situação epidemiológica de Ceilândia, mantendo a testagem por drive-thru, e ampliando testes nas unidades básicas de saúde. ;Como o coronavírus possui alta transmissibilidade em áreas com maior número de pessoas, a contaminação é mais rápida. Por isso, até o momento, o isolamento social é a forma mais recomendada para reduzir o poder de transmissão do vírus;, afirma o texto. Além disso, o governo distribuiu 5 mil máscaras nas três regiões.

Para especialistas, a restrição não é suficiente, como explica o epidemiologista Walter Massa Ramalho, professor do departamento de Medicina da Universidade de Brasília (UnB). ;O problema todo é que nós não temos ideia de quem está infectado ou não. Estamos vivendo um momento de ascensão de casos no DF, ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas transitando;, critica. ;Três dias são insuficientes;, completa Walter, acrescentando que limitar as medidas a três cidades é ineficaz devido à circulação de pessoas que vão a outras regiões de DF.

De acordo com ele, é preciso aumentar a testagem da população e manter as políticas de isolamento. ;Se tivéssemos um lockdown competente, a gente já teria diminuído a circulação do vírus, mas, enquanto alguns ficavam em casa de forma adequada, outros ficaram nas ruas espalhando a doença. Dessa forma, não é possível conter, e só posterga a situação;, destaca.

Comerciantes
Os comerciantes que trabalham nas áreas atingidas pelo decreto afirmam que ainda há resistência da população de cumprir as normas sanitárias. ;A gente respeita, mas as pessoas estão na rua. Idosos que passam o dia inteiro jogando dominó, gente sem máscara. Lavar a mão? Usar álcool em gel? Ninguém;, lamenta Tatiane Jordão, 37 anos, dona de uma loja de artigos religiosos no centro de Ceilândia.

Ela estima queda de 70% no movimento. Para se manter, tem trabalhado com entregas. ;De março para cá, todos os meses seriam bons para nós, porque tem muitas festas religiosas, mas com a situação, acabou sendo ruim. A expectativa é de recuperar. Mas as pessoas precisam respeitar as regras, se não, isso não vai acabar nunca.;

No Sol Nascente, a situação não é muito diferente. Amanda Andrade, 24 anos, tem uma loja de maquiagem na cidade. Ter o próprio negócio é o sonho de infância realizado, mas, com a crise, viu queda de 70% nas vendas. De portas fechadas, ela está trabalhando com entregas, enquanto aguarda poder voltar para a loja. ;O pessoal não está respeitando e, por isso, houve essa intervenção, para que o vírus não se alastre mais. Vejo muita gente caminhando sem máscara, e, inclusive, perdi cliente, porque não deixei entrar sem estar usando;, detalha.

Apesar das restrições, houve muito comércio funcionando na nas últimas 72 horas. Segundo o DF Legal, pasta responsável pela fiscalização, desde 8 de junho os agentes vistoriaram 3,1 mil estabelecimentos nas três regiões. Em Ceilândia, seis empresas foram notificadas para regularizar a licença de funcionamento. Na Estrutural, seis lojas foram interditadas, e, no Sol Nascente, 13, todas descuprindo as medidas determinadas pelo decreto do governador.

Corpus Christi

Confira o que abre e o que fecha no DF neste feriado:

; Comércio

Shoppings abrirão normalmente, das 13h às 21h. As lojas de rua funcionam das 11h às 16h.

; Segurança Pública

A delegacias policiais estarão abertas 24h, em esquema de plantão.

; Saúde

As unidades básicas de saúde não funcionam neste feriado. Nos hospitais regionais haverá atentimento normalmente.

; Transporte público

O Metrô-DF funcionará em horário especial, das 7h às 19h, e os ônibus circularão seguindo a tabela horária de domingo.

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