Cidades

''Pedia a volta do pronto-socorro", diz homem que xingou profissional

O homem foi até o Hospital Regional de Ceilândia, na noite de terça-feira (9/6), de onde gravou uma live. No vídeo, ele reclama da adaptação feita pela Secretaria de Saúde para encaminhamento de pacientes com coronavírus à unidade. Cidade lidera número de casos de covid-19 no DF

Darcianne Diogo
postado em 13/06/2020 19:17
Identificado nas redes sociais como Tacio Rogério, o homem discute com a profissional de saúde, em frente ao hospitalApós a repercussão do vídeo que mostra um homem e uma profissional de saúde do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) discutindo sobre o fluxo do pronto-socorro da unidade de saúde, o Correio conversou com o rapaz, identificado com Tacio Rogério, 46 anos.

O caso ocorreu na noite de terça-feira (9/6). No vídeo, ele reclama da adaptação feita pela Secretaria de Saúde para encaminhamento de pacientes com coronavírus à unidade e questiona o fato de o hospital não ter clínico médico, cirurgião e ortopedista. ;Estamos pedindo nessa live para o governador para que venha voltar nosso hospital. Esse hospital tem história. Agora é só covid. Só covid. É lamentável essa situação. Os moradores de Ceilândia merecem respeito. E queremos nosso pronto-socorro de volta. Para amanhã. Para ontem. Não é para daqui a 60 dias não;, disse.
A profissional de saúde, então, surge paramentada com equipamentos de proteção individual (EPI;s). ;Entra lá para você ver a situação da covid;, disse. O homem rebate. ;Eu já sei;;. A profissional de saúde segue contestando a postura do homem, que permanece gravando tudo. ;Entra lá para você ver, seu irresponsável. Sai daqui;, esbraveja ela. O homem segue a discussão. ;Tira o dedo da minha cara. Me tira daqui se a senhora for mulher;.
Em entrevista à reportagem, ele alegou que a reclamação e a filmagem não tiveram cunho político; ;Não estava fazendo nada para o Bolsonaro, mas para a população. Moro há mais de 40 anos em Ceilândia e essa foi uma demanda da população, que está cansada do caos na saúde pública;, disse.

Segundo o corretor de imóveis, a funcionária desceu de uma ambulância onde um paciente diagnosticado com o coronavírus se encontrava. ;Ela veio querendo me pegar e a bater e, claro, eu não deixei. Ela começou a me xingar e ofendeu até minha mãe. Os moradores sabem que ela tem a fama de ser agressiva aqui na região. Apenas atendi uma reivindicação das pessoas que moram nessa cidade. Se eu chegar nesse hospital, não vou ser atendido. Não tem ortopedista, nem clínico geral;, reclamou. Ele alega que o vídeo que circula nas redes sociais sofreu edição e não mostra tudo o que aconteceu.

A Secretaria de Saúde afirmou que o vídeo foi encaminhado ao Departamento Jurídico da pasta e às autoridades policiais e emitiu nota de repúdio à atitude do cidadão.

Nota de repúdio


"A Secretaria de Saúde repudia toda e qualquer forma de desrespeito e ameaças dirigidas a seus profissionais que arriscam suas vidas e colocam em risco a vida dos seus familiares para estarem na linha de frente da luta diária por uma saúde pública digna para a nossa população e, em especial, diante dessa pandemia e seus grandes desafios.
Este fato é deplorável e todas as providências estão sendo tomadas para identificar o agressor e adotar as medidas necessárias para que esse episódio não se repita.
A SES aproveita para reiterar as estratégias para o novo fluxo de funcionamento do pronto-socorro do HRC, baseadas no cenário epidemiológico do Distrito Federal. Ceilândia apresenta, neste momento, o maior número de casos do novo coronavírus. As ações visam dinamismo no atendimento da população da região, para diagnóstico e tratamento para a Covid-19.
Sabemos que toda mudança acarreta adaptações e, por parte da equipe da Secretaria de Saúde, todas as medidas estão sendo tomadas, com o apoio do HRT e HRSM.
Em nenhum momento o pronto-socorro do Hospital Regional da Ceilândia permaneceu fechado, mas sim em transição, remanejando pacientes para atendimento em outras unidades.
Nossos profissionais da saúde têm desempenhado com brilhantismo o atendimento à população e entregando todos os esforços na luta contra o coronavírus. Frisamos o respeito aos nossos profissionais e o comprometimento da SES/DF com a população da Ceilândia."

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