Cidades

Goiás: Semad localiza mais 24 pontos de desmatamento em Cavalcante

Em menos de 20 dias de ação ilegal em território kalunga, autoridades identificaram novos crimes ambientais e pontos de desmatamento

Thais Umbelino
postado em 24/06/2020 14:57
 (foto: Divulgação/Semad)
(foto: Divulgação/Semad)
Durante operação, equipe de fiscalização encontro funcionário, em uma área próxima a Kalunga,com um trator de esteira. No local havia mais de 170 hectares desmatadosApós descoberta de desmatamento ilegal em Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, autoridades da Secretaria de Meio Ambiente de Goiás (Semad) identificaram mais 24 pontos de desmatamento, além de atividades de mineração sem licença, na região da Chapada dos Veadeiros, em Cavalcante (GO). Ao todo, foram 2.5000 hectares atingidos por práticas ilegais. A ação começou nesta segunda-feira (22/6) e conta com o apoio das forças policiais do estado.

A chegada ao local foi possível por meio do serviço de inteligência da Semad, denúncias e imagens processadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O superintendente de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, Robson Disarz, coordena as atividades e aponta para a necessidade de localizar os responsáveis pelo crime. ;Constatamos pontos de desmatamento recentes e recebemos denúncias de que ações ilegais estariam acontecendo. Nossa pronta ação conteve danos maiores. Estamos preparando as autuações para todos os ilícitos;, disse.

Uma das áreas localizada pelos fiscais era vizinha ao território kalunga. Durante a operação, eles encontram um funcionário no local retirando a vegetação com um trator de esteira. Na área havia mais de 170 hectares desmatados. O maquinário pesado foi apreendido e a autoria da infração é do prefeito de Cavalcante, Josemar Saraiva Freire. A equipe investiga quem é o autor crime pelo desmatamento em região cuja maioria das terras é de propriedade do Estado de Goiás.

[SAIBAMAIS]A secretária da Semob, Andréa Vulcanis, é uma das autoridades presentes no local. Ela acompanha a operação desde 4 de junho, quando teve início investigação de desmatamento de 500 hectares no território tradicional kalunga, em Cavalcante. ;Em menos de 20 dias depois, vimos a insistência em destruir o meio ambiente goiano, numa área inclusive que está sendo estudada para a criação de um Parque Estadual;, aponta Andréa.

Além disso, a secretária afirmou que o Governo de Goiás seguirá monitoramento da região de forma intermitente. ;Estamos fazendo um verdadeiro pente-fino na região, verificando ações ilegais, revendo a situação das licenças ambientais e seguiremos acompanhando;, informou. ;A postura do Governo de Goiás é de tolerância zero, vamos acabar com essa cultura da impunidade;, concluiu Andréa.

De acordo com a Semad, os locais onde foram feitas as autuações desta semana são de difícil acesso e comunicação. Por isso, a pasta vai aguardar a finalização dos trabalhos por parte das equipes para divulgar um balanço com as áreas verificadas, as multas aplicadas e as medidas que devem ser tomadas a partir da autuação das partes envolvidas.

Garimpo ilegal

Durante megaoperação, as equipes de fiscalização localizaram um garimpo ilegal de ouro no Rio São Félix, município de Cavalcante. Ao todo, quatro motores de extração foram apreendidos e o grupo recebeu multas de R$ 100 mil. O grupo também localizou transporte clandestino da carga por um veículo carregado com lenha nativa. A origem do transporte, porém, ainda não foi identificada.

Memória

A Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente da Polícia Civil do Estado de Goiás junto com a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad-GO) iniciou, em 4 de junho, operação para conter e punir responsáveis por desmatamento ilegal de mais mil hectares (o equivalente a mil campos de futebol) no Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, na região da Chapada dos Veadeiros, em Cavalcante (GO).


A destruição chegou ao conhecimento da Semad na terça-feira (2/6) por meio de denúncia da comunidade quilombola kalunga da região. Em 5 de junho, equipes de fiscalização da pasta multaram em mais de R$ 300 mil proprietários que praticaram o desmatamento ilegal. Na propriedade, também foram embargadas cerca de 300 toneladas de calcários. O material seria utilizado para preparar o solo para o plantio de soja, segundo técnicos que acompanharam o trabalho.




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