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Correio Braziliense

Máfia dos Concursos: Polícia Civil prende servidores suspeitos de fraudes

Entre os alvos da operação está um dos membros da organização criminosa responsável por aliciar candidatos. Agentes cumpriram quatro mandados de prisão


postado em 03/07/2020 16:25 / atualizado em 03/07/2020 17:47

Operação foi conduzida pela Cecor(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Operação foi conduzida pela Cecor (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A Coordenação Especial de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Cecor) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desencadeou, na manhã desta sexta-feira (3/7), a 5ª fase da Operação Panoptes, que investiga fraudes em concursos públicos realizados na capital federal. Agentes cumpriram quatro mandados de prisão — um preventivo e três temporários — e três de busca e apreensão, expedidos pela Vara Criminal de Águas Claras.

Entre os alvos da operação, está um dos membros da organização criminosa responsável por aliciar candidatos. O homem cumpria prisão temporária desde 23 de junho pela fraude ao concurso da Secretaria de Educação do DF, mas a Justiça converteu a prisão para preventiva. A irmã do acusado também é um dos alvos. Ela é suspeita de tentar fraudar o concurso do Superior Tribunal de Justiça (STJ), realizado em 2015. 

Além deles, um técnico judiciário do Ministério Público da União (MPU) é suspeito de fraudar o próprio concurso, em 2015, e uma monitora da Secretaria de Educação também é investigada por fraude. A ação da PCDF ocorreu na Asa Norte e em Santa Maria. 

Agora, as investigações, levadas pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Draco), buscam por servidores que fraudaram ou tentaram fraudar os próprios concursos. A polícia trabalha para que sejam deflagradas novas operações, na intenção de que os suspeitos sejam presos e afastados dos cargos. 
 
Por meio de nota oficial, o STJ esclareceu que a fraude ocorrida em 2015 foi apurada em Processo Administrativo Disciplinar e resultou na exoneração compulsória dos ex-servidores envolvidos, em dezembro do ano passado. "O STJ encaminhou ao Ministério Público Federal as informações necessárias para a propositura de Ação de Improbidade Administrativa contra os fraudadores. A Corte atua em estreita colaboração com a autoridade policial para a completa elucidação dos fatos e acompanha a continuidade da investigação para verificar se haverá algum desdobramento adicional no âmbito interno do Tribunal", informou.  

Histórico

Ao longo das cinco fases da Operação Panoptes, voltada a combater a Máfia dos Concursos, os nove principais integrantes do grupo criminoso foram presos e condenados pelos crimes de participação em organização criminosa, fraude a certames de interesse público e uso de documento falso. 

No total, 25 pessoas foram indiciadas por envolvimento na fraude ao concurso do STJ de 2015; 20 foram indiciadas por participarem da fraude ao concurso da Secretaria de Educação de 2016; e diversos servidores foram presos por suspeita de fraudes aos próprios concursos. Entre eles, estão o da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, do MPU e da Secretaria de Saúde. 

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