Cidades

Suruba no Lago: oito pessoas têm imagem associada a sexo grupal e denunciam

O Correio conversou com duas vítimas, que procuraram a Polícia Civil para denunciar os casos. Elas tiveram fotos e perfis das redes sociais compartilhadas com o vídeo do sexo grupal

Sarah Peres
postado em 03/07/2020 20:04
sexo no lagoAo menos oito moradores do Distrito Federal que tiveram as imagens associadas ao grupo flagrado fazendo sexo grupal em uma lancha no Lago Paranoá procuraram a Polícia Civil para relatar os casos. As pessoas, que não têm nenhum envolvimento com o ato sexual, tiveram fotos e perfis em redes sociais divulgados criminosamente. A corporação apura a motivação e os responsáveis pelos do compartilhamento, além de tentar identificar os verdadeiros participantes da suruba. A reportagem conversou com algumas vítimas, que pediram anonimato.

A primeira vítima é uma mulher, que teve o perfil do Instagram enviado juntamente com a foto de uma das jovens que participou do sexo grupal. Ao Correio, ela relatou que passou a receber solicitações de seguidores, além de mensagens ofensivas e invasivas de homens. Ela registrou a ocorrência na 20; Delegacia de Polícia (Gama) ainda na quinta-feira (2/7).

;No começo, fiquei sem entender o que ocorreu para ter tantas solicitações de novos seguidores. Depois, pessoas que me conhecem começaram a mandar prints de um grupo, com a minha imagem associada. Fiquei completamente desesperada, porque a situação tomou uma proporção muito grande. Sai do trabalho (ontem) e fui diretamente para a polícia resolver;, afirma.

Na madrugada desta sexta-feira (3), sete pessoas, três homens e quatro mulheres, procuraram a 19; Delegacia de Polícia (Setor P Norte ; Ceilândia). As vítimas também passaram a ser incomodadas por terem as imagens associadas ao sexo grupal. De acordo com o delegado-adjunto, Sérgio Bautzer, os jovens foram vítimas de vingança.

;Essas pessoas são vítimas de um crime contra a honra. Ao terem as imagens relacionadas ao ;barco do amor;, as vítimas passaram a ser incomodadas e constrangidas. Sendo que as mulheres são as mais afetadas, até psicologicamente, com toda a situação;, afirma.
O delegado explica como a imagem das sete vítimas foram relacionadas ao caso. ;Fizeram uma sobreposição de imagens com as fotos dos status das vítimas. Assim, criaram a história que se tratariam dessas pessoas. A situação tomou uma proporção muito grande, acabando com a vida delas. Por isso, acreditamos que se trate de uma vingança;, esclarece Sérgio Bautzer.

O investigador acrescenta que o ;compartilhamento dessas imagens é crime, então, as pessoas que estão divulgando essas fotos podem responder por isso". "Essas vítimas não têm relação com o caso e não conhecem quem são os integrantes do ;barco do amor;.;

Ao Correio, uma das vítimas relatou que ele e os amigos realizaram uma confraternização em um barco, no Lago Paranoá, em 1; de julho. Eles publicaram momentos da reunião de modo privado no status do WhatsApp e, desse modo, tiveram as fotos relacionadas com a suruba.

;Fizeram a junção de imagens da verdadeira embarcação com as fotos que as meninas publicaram no WhatsApp e foram roubadas. Por causa disso, elas estão sofrendo muito, até por parte da família mesmo. É uma situação extremamente constrangedora, pois somos vítimas de uma fake news. Certamente o dia que estivemos no Lago sequer deve ter sido quando ocorreu a suruba com o verdadeiro grupo;, destaca.

Verdadeiro grupo que fez suruba é investigado

Além das investigações de pessoas que foram vítimas de crimes contra a honra, por terem as imagens associadas à suruba em embarcação no Lago Paranoá, a Polícia Civil também apura e tenta identificar quem são os verdadeiros envolvidos no sexo grupal ; que podem responder por ato obsceno.
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A 10; Delegacia de Polícia (Lago Sul) passará a investigar o caso, que começou a repercutir nas redes sociais nos últimos dias. Um novo vídeo que mostra cenas de sexo explícito poderão auxiliar os agentes a identificar os envolvidos, pois é possível ver o rosto de dois dos homens.
Praticar sexo ao ar livre ou em local público é crime, de acordo com o artigo 233 do Código Penal Brasileiro, cuja pena é detenção de três meses a um ano ou multa. Os envolvidos também praticaram um segundo delito, porque não utilizavam máscara de proteção no espaço público ; multa de R$ 2 mil para pessoa física e R$ 4 mil para pessoa jurídica.
Além disso, por conta da divulgação da foto de uma das mulheres envolvidas no sexo grupo, e do vídeo que mostra ela praticando o ato sexual, os responsáveis por liberar o material poderão responder por vazamento de nudez.

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