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Correio Braziliense

Morre Sinézio Cordeiro, músico símbolo da cultura nordestina no DF

Vice-presidente da Associação dos Forrozeiros do Distrito Federal (Asforró), Sinézio deixa como marca a luta pela valorização da música nordestina na capital e a humildade de alguém que utilizou o prestígio para ajudar outros músicos


postado em 05/07/2020 11:20 / atualizado em 05/07/2020 16:34

Sinézio marcou a história de reconhecimento da cultura nordestina no DF(foto: Divulgação/Trio do Nordeste)
Sinézio marcou a história de reconhecimento da cultura nordestina no DF (foto: Divulgação/Trio do Nordeste)
O Distrito Federal perdeu na manhã deste domingo (5/7) Sinézio Cordeiro de Araújo, vice-presidente da Associação dos Forrozeiros do Distrito Federal (Asforró) e músico do Trio do Nordeste. O pernambucano que marcou o movimento da cultura nordestina em Brasília foi vítima de uma parada cardíaca.

Segundo conhecidos de Sinézio, ele havia manifestado sintomas do novo novo coronavírus na quarta-feira (1/7), mas ainda não há confirmação da infecção. O óbito foi constatado por volta das 7h deste domingo e a notícia entristeceu grande parte dos músicos de forró da capital, que encontravam nele uma inspiração.

“O Sinézio tem uma história firme em Brasília com a bandeira da cultura nordestina. Ele foi um artista popular que alcançou um reconhecimento muito grande no DF e nunca perdeu a humildade. Pelo contrário, Sinézio carregava um espírito humano, de quem queria agregar e estava sempre somando, ajudando outros músicos, porque gostava de ver nosso forró brilhando”, contou o presidente da Asforró, Marques Célio Rodrigues, 57.

Pai de dois filhos, ele se orgulhava de ter conseguido ver o garoto e a menina se formarem no ensino superior. A família sempre foi um dos pilares de Sinézio, que levava a paixão pela cultura nordestina para dentro de casa. O filho Samuel Gomes, 21, começou a tocar sanfona com 9 anos e também carrega os ensinamentos do pai.

As principais festas juninas do DF contavam com a participação de Sinézio, que costuma não ter espaço na agenda em junho e julho. Outra marca na história do forrozeiro foi o prazer de ter tocado com Luiz Gonzaga, quando o Rei do Baião esteve na Casa do Cantador, em Ceilândia.
 
O Secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues, também lamentou a morte do músico. Nordestino que adotou Brasília como casa, Rodrigues reconheceu a lacuna que a ausência do artista deixa na capital, bem como a lição e o orgulho que Sinézio deixou para a comunidade nordestina no DF. "A sanfona foi o instrumento, o forró foi o estilo, a voz a inspiração para uma geração de músicos que darão continuidade ao seu trabalho de unir o Brasil em torno de uma das mais ricas manifestações culturais do nosso cancioneiro. Que Deus o acolha para que anime o céu com a mesma alegria com que sempre nos brindou aqui na Terra", desejou. 
 
O sepultamento foi marcado para a tarde deste domingo, no Campo da Esperança de Taguatinga. Por conta da suspeita de covid-19, não houve velório. 

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