Cidades

Crônica da Cidade

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postado em 13/07/2020 04:05
Da capa ao dia de Natal
Uma das situações mais marcantes que ocorrem quando se trabalha na redação de um jornal certamente é acompanhar a produção da capa. O essencial, aquilo que o leitor verá ao acordar pela manhã, seja no exemplar deixado à porta, seja no smartphone ou no tablet. Dispor cada tema dando a relevância que merece, analisar as reportagens publicadas ao longo das demais páginas para encaixar em poucas linhas e palavras o resumo preciso dos conteúdos.
Ainda me lembro da primeira vez em que vi a capa de uma edição do dia de Natal sendo revisada. Não era a minha estreia nos plantões de fim de ano, mas, antes disso, o contato com essa parte da produção era limitado. A sintonia com a arte, a disposição das fotos e as tentativas de manter a harmonia entre os textos publicados em diferentes editorias eram as preocupações que concentravam os esforços da equipe.
Todos os anos, a edição de 25 de dezembro chega às mãos dos assinantes mais cedo, antes mesmo de o menino Jesus surgir nos presépios. Depois de tudo preparado e editado, vem a revisão final. A capa é a última página do jornal e ser enviada à impressão. Dado o comando, chega a hora de a equipe celebrar mais um ciclo, com direito a brinde.
Não sei ao certo por que essa lembrança me veio à cabeça agora. Talvez pela saudade de ver a redação pulsando nos horários de fechamento. O ruído dos teclados, os passos apressados nos corredores, os debates sobre a edição do dia. Mas muito também por prever que este Natal será diferente. Além do impedimento de confraternizar com colegas de trabalho e amigos, nem com a família será possível se reunir como de costume.
A tradicional ceia da meia-noite, quando não precisar ser suspensa, deverá contar com planejamento e criatividade. Será o dia das lives. De relembrar os tempos pré-WhatsApp e fazer uma ligação demorada com avós, tios e tias. E de criar uma sala de bate-papo para jogar conversa fora com os amigos. Só assim para encurtar as distâncias. Até lá, seremos craques, conhecedores de todos os apps disponíveis no universo das lojas on-line de nossos celulares para fins de reencontros virtuais.
Ninguém disse que seria fácil. Mas viver esses tempos tem sido ainda mais desafiador do que qualquer previsão poderia antecipar. As festas e as celebrações terão que ocorrer, à revelia dos clichês, dentro dos corações. Aproveito, então, para antecipar o meu pedido de ano-novo. Desejo aos que levam a sério o momento de crise sanitária enfrentado mundo afora e os cuidados que ele suscita que a passagem para 2021 signifique renovação e traga boas-novas.

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