Cidades

Jovem picado por naja pode ser indiciado por crime contra a saúde pública

Pedro Henrique deixou o hospital no início da tarde desta segunda. Agentes da polícia foram até o prédio do estudante, no Guará 2. Ele deve ser ouvido na delegacia ainda nesta semana. Suspeita é que ele e amigos estejam envolvidos em tráfico de animais

Samara Schwingel
postado em 14/07/2020 06:00
Pedro Henrique deixou o hospital no início da tarde desta segunda. Agentes da polícia foram até o prédio do estudante, no Guará 2. Ele deve ser ouvido na delegacia ainda nesta semana. Suspeita é que ele e amigos estejam envolvidos em tráfico de animaisO jovem picado pela naja kaouthia recebeu, nesta segunda-feira (13/7), alta do hospital. Pedro Henrique Lehmkuhl, 22 anos, chegou a ficar em coma e esteve internado desde 7 de julho, quando foi atingido pela cobra no apartamento onde mora, no Guará 2. O estudante de medicina veterinária recebeu dose do único soro antiofídico existente no Brasil, cedido pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e respondeu bem aos tratamentos.

Pedro deve ser ouvido pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ainda nesta semana. O delegado da 14; DP William Andrade Ricardo afirma que os investigadores intimaram o estudante ainda na segunda-feira, após ele sair do hospital. Segundo o delegado, o jovem também pode ser indiciado por crime contra a saúde pública, por expor a vida ou a saúde de outros a perigo direto e iminente, devido ao manuseio inadequado do animal.

Na tarde desta segunda, agentes da PCDF estiveram no condomínio onde o jovem mora com a família. O Correio apurou que a visita era relacionada ao caso de Pedro e eles olharam imagens do circuito de segurança.

Suspeita

Na última sexta-feira, três amigos do estudante estiveram na delegacia, incluindo o jovem que deixou a naja próximo ao shopping Pier 21. Nenhum deles foi responsabilizado ainda. A suspeita da PCDF é que o grupo esteja envolvido em um esquema nacional de tráfico de animais silvestres.

O caso da naja levou a Polícia Militar Ambiental (BPMA) a encontrar mais 16 serpentes, em uma espécie de criadouro no Núcleo Rural Taquara, em Planaltina. A chácara pertence a um dos amigos de Pedro. As investigações apontam que os jovens utilizavam os animais em pesquisas clandestinas.

Na sexta-feira, agentes da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema) encontraram três tubarões, sete serpentes, uma moreia e um lagarto teiú, além de outras seis cobras, em uma chácara na Colônia Agrícola Samambaia, em Taguatinga. A polícia apura a ligação entre os animais e o estudante que foi picado.

No sábado, agentes capturaram uma jiboia arco-íris, em um apartamento vazio no Guará 2. O dono, um servidor do Judiciário, é pai de um dos amigos de Pedro, o mesmo que ocultou as 16 serpentes e soltou a naja próximo ao shopping Pier 21.

As serpentes apreendidas estão no Zoológico de Brasília e seguem em observação, após apresentarem sinais de maus-tratos. No total, o Zoo está com as seguintes espécies provenientes de apreensões: naja de monóculo, cascavel, periquitamboia, cobra rasteira, king snake, jiboia, jararacuçu, víbora verde-de-voguel, jiboia arco-íris, jiboia de Madagascar e píton indiana. Uma perícia da Polícia Civil, realizada ontem, constatou que duas piton-indianas estavam debilitadas e com lesões aparentes. Elas recebem tratamento no Hospital Veterinário do Zoológico.

Os tubarões seguem na chácara em Samambaia. O dono dos aquários precisa apresentar a documentação dos animais ainda esta semana, caso contrário o Ibama irá levá-los para algum aquário de Brasília. O órgão estuda para definir qual local seria o mais adequado para recebê-los. As autoridades ambientais ainda discutem qual será o destino final de todos os animais encontrados, sendo o Butantan o mais provável para as cobras.

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