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Conheça iniciativas no DF que levam alento à população em meio à pandemia

Brasilienses dão exemplo de solidariedade em meio à pandemia. Grupos ajudam desde à população em situação de vulnerabilidade social até microempreendedores afetados pela crise

Cibele Moreira
postado em 14/07/2020 06:00
Projeto Dividir entregou mais de 7 mil marmitas e 2 mil cestas básicas para pessoas em situação de ruaDesde o início da pandemia no Distrito Federal, atos de solidariedade têm se mostrado mais presentes entre os brasilienses. Doações de cestas básicas, máscaras e marmitas têm ajudado famílias em situação de vulnerabilidade. Em outros casos, as iniciativas beneficiam agricultores familiares e pequenos empreendedores. Entre as ações desenvolvidas na capital está o S Solidário, que nasceu em maio, após mobilização de um grupo de amigos, colaboradores do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

A moradora da Asa Norte Larissa Meira, 41 anos, conta que a ideia surgiu em um bate-papo. ;Um amigo percebeu a demanda de famílias em situação de rua e resolveu ajudá-las, comprando 10 marmitas para distribuir na região perto da casa dele. Depois, conversando sobre o assunto, refletimos sobre o quanto essas pessoas precisam de ajuda e o que podemos fazer;, explica.

Com a ideia de distribuir marmitas e tendo em vista que todos na empresa onde trabalha estão em home office, Larissa lembrou-se do restaurante que fica na sede do Sebrae, na 605 Sul. ;Sem vender as refeições desde março, o dono do restaurante Ponto Gourmet começou a disponibilizar vouchers para quando retomar as atividades. No entanto, não era o suficiente. E, para ajudá-lo, fizemos uma parceria e estamos comprando as marmitas dele. Dessa forma, ajudamos, também, um microempreendedor;, relata.

;A pandemia trouxe outras necessidades. Também estamos arrecadando roupas e agasalhos para doar. Álcool em gel e água são outros itens que foram incluídos;, pontua Larissa. O grupo conta, ainda, com o apoio de três costureiras, que produzem máscaras de proteção facial e vendem a R$ 4 para serem doadas no projeto S Solidário.

Para a dona de casa Elda Torres, 38, está sendo gratificante produzir as máscaras para a iniciativa. ;Era um sonho meu ajudar as pessoas e, quando surgiu a oportunidade, topei na hora;, relata a moradora do Guará. Mãe de cinco filhos, o dinheiro da venda dos itens de proteção facial tem contribuído na renda da família.

Ao todo, foram distribuídas 600 quentinhas e 800 máscaras para pessoas em situação de vulnerabilidade. A ação ocorre aos sábados, em diversos pontos do Distrito Federal. O grupo passou pelo Setor Comercial Sul, Setor de Embaixadas Norte, Rodoviária do Plano Piloto, Torre de TV, Cidade Estrutural, na comunidade Boca da Mata ; entre Taguatinga e Ceilândia ; e ajudou famílias que vivem em acampamentos atrás do Taguatinga Shopping.

De acordo com Alessandro Machado, 46, um dos idealizadores da iniciativa, se 10 pessoas doarem R$ 10, o montante permite fornecer refeições para 100 famílias. ;Este é um momento que a gente nunca viveu. A maioria dessas pessoas é catador que perdeu a matéria-prima do seu sustento;, avalia. ;Nunca pensei que ia tomar essa dimensão. Já são 600 pessoas contempladas. Isso traz um sentimento de gratidão;, revela o morador do Lago Norte.

Restaurantes
Com o intuito de ajudar a população em situação de rua, alguns restaurantes e cafés estão produzindo marmitas para doar. Entre as iniciativas, está o Projeto Dividir, iniciado em março, quando foram decretadas as medidas de isolamento social, no Distrito Federal. A ação, coordenada pelo Café Objeto Encontrado com o Gabinete 24, do deputado Fábio Felix (PSol), entregou mais de 7 mil marmitas.

Taiza Neves, 28, uma das colaboradoras do Objeto Encontrado e que está à frente do projeto, explica que a ação funciona como uma rede de ajuda. ;A demanda é crescente, além das marmitas para a população em situação de rua, a gente arrecada roupas, agasalhos, cobertores e cestas básicas, que são encaminhados para entidades sociais que sabem, exatamente, quem precisa das doações.;

Mais de 2 mil cestas básicas foram entregues pelo projeto, que conta com alimentos provenientes de agricultores familiares do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). ;É uma via de mão dupla, muitos desses produtores vendiam em feiras ou contavam com outra forma de comercialização dos alimentos, e a pandemia teve um impacto direto;, avalia Lucas Hamu, 31, dono do Café Objeto Encontrado.

As doações em dinheiro são destinadas, exclusivamente, para a compra de insumos ; para a produção de marmitas ;, materiais de higiene pessoal, produtos de limpeza e de proteção individual, como máscara e luvas. Para Hamu, a ideia é o projeto crescer e se tornar uma ação permanente voltada às comunidades carentes. ;Existe uma desigualdade muito séria e que causa impactos. Vimos o quanto isso os afeta, e o que pequenas ações podem fazer para transformar a vida dessas pessoas;, defende Lucas.

Ceilândia

A região mais populosa do Distrito Federal e a que mais tem sofrido com a covid-19, Ceilândia abarca uma outra iniciativa social. Promovida pelo Singelo Burguer em parceria com a Coletivação, a hamburgueria tem distribuído, diariamente, cerca de 50 lanches para a população em situação de rua da cidade.

De acordo com Otávio Damichel, 28, dono do estabelecimento e líder da Coletivação, desde o início do projeto ; em março ;, foram distribuídos mais de 5 mil hambúrgueres. ;A iniciativa nasceu da nossa percepção sobre essa população que, diante da pandemia, estava desassistida. Já tínhamos esse projeto, que surgiu há cinco anos, mas que estava parado. Então, vimos a necessidade de retomá-lo;, pontua. Para ele e a sócia, Flávia Gimenes, 38, o objetivo é dar continuidade à ação no pós-pandemia e ampliar o número de pessoas beneficiadas.


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