Cidades

Centros olímpicos terão volta gradual das atividades

Expectativa é que as aulas presenciais voltem inicialmente apenas para algumas faixas etárias. Professores e equipe pedagógica já passam por treinamento para retomada do trabalho de forma segura. Protocolo pioneiro apresentado pela Fundação Assis Chateaubriand será avaliado pelo GDF

Correio Braziliense
postado em 16/07/2020 06:00
Visão aérea do Centro Olímpico e Paralímpico de São SebastiãoAinda não há uma data certa para o retorno das atividades dos Centros Olímpicos e Paralímpicos (COP) do Distrito Federal, mas a expectativa para a volta é grande. Cerca de 40 mil pessoas que frequentam esses espaços em 11 regiões do DF, entre crianças, jovens, adultos, idosos e pessoas com deficiência, estão com aulas esportivas e eventos presenciais suspensos desde meados de março. Desde então, o estímulo à prática de atividades físicas em casa vem se dando de forma virtual, com a gravação de vídeos com diversos desafios produzidos pelos professores. 

Aluna MayaraMoradora de Sobradinho, Mayara Machado, 33 anos, frequentava o Centro Olímpico de Sobradinho quatro vezes por semana, com aulas de atletismo e ginástica localizada. Para ela, a pandemia teve um impacto enorme em sua rotina: “A ansiedade de voltar é não só pela qualidade de vida da prática do exercício físico, mas pelo ambiente, estar com outras pessoas, vem a parte emocional, que também é trabalhada lá. Estamos juntos virtualmente, mas faz muita falta ser acolhida em um grupo que considero como uma segunda família. Apesar de todos os medos da Covid-19, a vontade para voltar ao COP é muito maior.” 

Segundo a professora de natação do Centro Olímpico e Paralímpico de Samambaia, Silvânia Itacaramby, o contato próximo com os alunos se manteve durante toda a quarentena e a adesão aos desafios propostos foi muito positiva. “Nem todos os alunos se mantiveram instigados durante esse período, mas mantivemos o cuidado e o carinho com eles”, conta a educadora. “Nossos alunos têm comentado que, por mais que esteja legal essa dinâmica com os vídeos, nada substitui o presencial, cair na piscina, nadar, rever os amigos. A socialização faz muita falta para a gente”, observa, ao afirmar que a equipe não vê a hora de retomar a rotina. A ansiedade também é compartilhada pelo professor Pablo Thiago, que confessa que a saudade bateu forte.

Professora Silvânia

Silvânia e Pablo fazem parte de uma equipe de mais de 200 profissionais da Fundação Assis Chateaubriand que se dedica à gestão pedagógica de sete dos 12 COP do DF, em parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer. Durante essa fase de distanciamento social, o grupo vem se empenhando para reinventar a forma de trabalho. Um dos produtos construídos colaborativamente por um time multidisciplinar em home office foi o treinamento da equipe para o retorno gradual das atividades. Na avaliação de um dos líderes dessa ação, o psicopedagogo Ken Araújo, a ideia é sensibilizar a equipe sobre a importância de estar preparada, com informações adequadas para receber bem a comunidade. “Nosso papel, além do atendimento com atividades físicas, é orientar e fazer um processo de reeducação com a comunidade”, destaca.

A preparação, que começou esta semana, está organizada na plataforma virtual Google Sala de Aula, com uma curadoria de conteúdos que envolvem informações gerais sobre a Covid-19, formas de contágio, sintomas, uso correto das máscaras, cuidados preventivos, além de exercícios de reflexão, pausas para autocuidado e orientações sobre questões emocionais. “São dicas e orientações para manter a saúde física e mental da nossa equipe e das comunidades”, reforça a psicóloga Isabela Vivas, do COP da Estrutural.

Outro material produzido pela equipe da FAC foi um protocolo pioneiro no Brasil, baseado em boas práticas da Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e outros países desenvolvidos que já retomaram atividades esportivas com sucesso. Segundo o gerente didático-pedagógico Raphael Silveira, o objetivo deste documento é nortear as condutas e procedimentos dentro dos equipamentos esportivos para prevenir um contágio em massa. “Vamos trabalhar para ter o mínimo possível de infectados dentro dos COP, tanto colaboradores quanto alunos”, ressalta Raphael. 

Para a secretária Celina Leão, os Centros Olímpicos são um instrumento de efetiva política pública desportiva: “Esses espaços são um instrumento de saúde, principalmente neste momento de pandemia. Encaminhamos essa sugestão de protocolo para o governo do Distrito Federal, para que a gente possa retomar com segurança, como todas as outras atividades que a gente tem retomado aqui no DF. Acreditamos que até a próxima semana o governo dê a possibilidade de a gente reabrir os COP.”

Tripé fundamental

A proposta da FAC para o protocolo dos Centros Olímpicos e Paralímpicos é de que a retomada seja feita de forma gradual: inicialmente com atividades para pessoas de 12 a 59 anos, com exceção daquelas com comorbidades e grupos de risco. Crianças menores, idosos e pessoas com deficiência ficariam de fora dessa fase inicial das atividades. A sugestão é de que as modalidades esportivas coletivas fiquem temporariamente suspensas, até que a situação de saúde pública esteja mais controlada no DF. Com isso, as aulas serão adaptadas à nova realidade.

O protocolo foca nos seguintes cuidados para o sucesso das atividades: distanciamento, uso permanente de máscaras e higienização constante das mãos e equipamentos. Para o médico Luiz Antônio Silva, diretor científico da Sociedade de Pediatria do DF, esse é o tripé fundamental para o controle da Covid-19, para não deixar acontecer um pico da doença. “Não podemos baixar a guarda. Infelizmente a população ainda está impaciente com relação às medidas que devem ser tomadas. Temos que continuar mantendo o distanciamento, usando corretamente as máscaras e fazendo a higiene. A gente já deveria estar fazendo isso há muitos anos. Acreditar que tem um medicamento milagroso vai só complicar a situação. A gente torce para que ele apareça, mas ainda não tem documentação científica afirmando isso”, destaca.

Para o médico, estamos vivendo uma situação crítica, que exige muito estudo por parte dos profissionais habilitados para a área. “A gente vê uma chuva de opiniões. Os educadores físicos precisam estar atentos às condutas fundamentadas na ciência e não tomar a opinião particular de cada um e achar que está fazendo o bem. Sugiro que continuem estudando e evitem ficar ouvindo opiniões de pessoas que vêm multiplicando mensagens sem o mínimo de conhecimento. Isso tem atrapalhado bastante na condução da Covid-19 no Brasil e no mundo.”

12 a 59 anos

Faixa etária sugerida pelo protocolo da Fundação Assis Chateaubriand para atendimentos na fase inicial de retorno gradual dos Centros Olímpicos 

Tripé de segurança


Uso permanente de máscaras

Distanciamento seguro

Higiene constante das mãos e equipamentos

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  • Foto: Arquivo pessoal
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