Cidades

Crônica da Cidade

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postado em 20/07/2020 04:19

Sou uma pessoa de emojis. Aqueles tradicionais rostinhos amarelos com as mais diversas expressões são a minha forma favorita de enviar reações virtualmente, nas trocas de mensagens cada vez mais frequentes em tempos de pandemia. Os interlocutores cativos devem estar de saco cheio da minha falta de criatividade, já que o que não faltam, hoje, são opções para ampliar esse repertório.

Logo quando eu me acostumava com a moda dos GIFs (imagens animadas, como em pequenos vídeos), vieram os tais stickers ou figurinhas (aquelas montagens divertidas que geralmente misturam imagens reais com desenhos e contornos diversos). À época do aniversário de Brasília, várias tomaram conta do WhatsApp, com referências a tesourinhas, monumentos e expressões tipicamente brasilienses.

Talvez, pela velocidade com que tudo aconteceu, não consegui me adaptar às novidades. Salvo umas cinco figurinhas que acho mais engraçadas, assim como os GIFs, e repito nos momentos em que acho apropriado um pouco de descontração. Era mais simples se expressar quando apenas os caracteres do teclado resolviam a questão. Acho fantástico como com apenas alguns cliques é possível demonstrar emoção.

Para sorrir, por exemplo, bastam dois pontos e um parêntese :) simples assim. Com o último sinal invertido, é a tristeza retratada nos lábios que carrega o olhar. Foi dessa forma, inclusive, que o Correio homenageou Chico Anysio na edição que noticiava sua morte. A capa icônica rendeu ao jornal o Prêmio Esso em 2012. Um :( foi suficiente para resumir o sentimento deixado no adeus ao humorista.

Vamos precisar nos agarrar a esses artifícios por mais tempo para vencer o distanciamento. Investir nos abraços virtuais e em outros carinhos conectados por milhares de quilômetros de fibra ótica ou guardados na tal nuvem ; essa nova entidade que abriga nossos segredos e emoções, as imagens não reveladas do verão em família, os registros dos nascimentos dos nossos filhos e até das nuvens de verdade, feitas de vapor de água, que ilustram com formas de algodão o céu azul do inverno no Planalto.

Antes de finalizar, algumas anotações para o diário, que não preencho há tempos, de coisas a fazer e a valorizar pós-pandemia: 1) A sensação dos raios de Sol tocando a pele combinados com o vento gelado do mês de julho. 2) O encontro com os amigos no fim de semana. 3) O café e o cochilo depois do almoço de domingo na casa da vó.

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