Cidades

Administração promete vistoria diária no comércio de Ceilândia

Embora confiantes com o retorno, muitos comerciantes não reabriram as portas, ontem. O movimento nas lojas ainda é pequeno. Administração acompanha para saber se o setor está cumprindo as exigências de segurança

Mariana Machado
postado em 21/07/2020 06:00
O comércio da cidade que lidera o total de casos e mortes tenta se recuperar depois do recente lockdownO primeiro dia de reabertura do comércio em Ceilândia e Sol Nascente foi tímido. Desde 8 de julho, atividades consideradas não-essenciais estavam suspensas, como medida de combate ao coronavírus. Na última sexta-feira, no entanto, o governador Ibaneis Rocha revogou a decisão, permitindo a volta para ontem. Com isso, podem funcionar os mesmos locais já estabelecidos para o restante do Distrito Federal. Mesmo assim, muitos estabelecimentos permaneciam fechados.

A diretora de articulação da administração de Ceilândia, Sheila Gonçalves, explica que muitos comerciantes estão receosos. ;Em geral, estão felizes, e obedecendo ao protocolo, mas muitos não voltaram ainda, porque têm medo, enquanto outros estão se preparando, esterilizando os ambientes para receber os clientes.; De acordo com ela, a administração fará vistorias diárias para checar o cumprimento das normas. Isso inclui cumprimento de horário, distanciamento de clientes e fornecimento de álcool em gel para o público, assim como funcionários.

Na manhã de ontem, muitos estavam inseguros quanto à permissão de funcionar. Um funcionário de uma barbearia no Sol Nascente, que não quis se identificar, afirmou que ninguém tinha certeza se poderia ou não atender. Sem clientes à vista, ele não era o único. A dúvida é natural: o abre e fecha na cidade tem sido constante. Ainda em março, o governo decretou quarentena, primeira intervenção no funcionamento.

Em 26 de maio, as lojas de rua puderam voltar à ativa, o que durou pouco em Ceilândia, Sol Nascente e Estrutural. Em 8 de junho, o governo decretava lockdown para as três regiões, por 72 horas. A suspensão mais recente aconteceu em 8 de julho, quando novamente, Ceilândia e Sol Nascente precisavam ter o comércio fechado. A decisão só foi revogada na sexta-feira passada.

Esperança

No centro de Ceilândia, a movimentação maior era de ambulantes, próximo ao restaurante comunitário. Nas ruas, a maioria das pessoas cumpria a determinação de usar máscaras de proteção facial, mas poucos paravam para comprar alguma coisa. A expectativa é de que, a partir de amanhã, quando a feira permanente comece a funcionar, haja maior circulação.

Marilde Pedrosa, 45 anos, tem uma banca de roupas masculinas na feira, e se diz ansiosa pelo retorno. ;Estou confiante de que vai dar certo, porque as pessoas tomam cuidados, e existem regras. Não pode entrar nos locais de qualquer jeito;, pondera. Sem trabalhar, ela contava com a ajuda de amigos. ;Os cheques foram sustados, e não tem muito dinheiro. Muitos colegas precisaram fechar as bancas;, lamenta.

A comerciante conta que, ao saber do fechamento no início de julho, sentiu desespero. ;Quando a gente acha que vai começar a recuperar, a pôr as contas em dia, de repente, tudo para de novo.; Ela garante que está preparada para reabrir a banca, e já garantiu álcool em gel e materiais de limpeza para fazer a higiene constante do local.

Até ontem, Ceilândia e Sol Nascente lideravam o ranking de regiões com mais casos de coronavírus no Distrito Federal. Segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde, as duas somavam 10.724 mil infectados e 232 óbitos. A taxa de letalidade está em 2,2%.


O que abre e o que fecha


; Assim como em todo o Distrito Federal, estão autorizadas a funcionar todas as atividades estabelecidas pelo Decreto 40.939/2020, publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF). Isso inclui academias, salões de beleza, bares e restaurantes, e toda atividade comercial.

; Permanecem suspensos: eventos que exijam licença do poder público, eventos esportivos, boates e casas noturnas, atividades culturais (exceto quando ocorrer em estacionamentos, e desde que as pessoas permaneçam nos veículos, mantendo distância de 2 metros).

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