Cidades

DF chegou ao pico de casos, mas não ao de mortes: o que isso significa?

De acordo com o ciclo do vírus, a capital do país precisa se preparar para enfrentar o pico da hospitalização e o pico das mortes

Dados do Observatório de Predição e Acompanhamento da Epidemia Covid-19 da Universidade de Brasília (PrEpidemia) mostram que o Distrito Federal atravessa o pico de infectados pelo novo coronavírus e sinalizam uma . Contudo, em função do ciclo da doença, a capital do país ainda precisa se preparar para enfrentar dois pontos cruciais: o pico da hospitalização e o pico no número de mortes por semana. 

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Paulo Angelo Alves Resende, um dos coordenadores do PrEpidemia, explica que o tempo é muito importante no ciclo de doenças como a covid-19. Partindo de uma pessoa suscetível ao vírus, primeiro, ela se expõe à contaminação; em seguida, tem início o período de incubação; depois, o estágio infeccioso, no qual ela é capaz de transmitir o vírus para outras pessoas; e, por fim, ela se recupera. Variáveis como a carga viral e a produção de anticorpo do organismo vão influenciar esses processos, alterando para mais ou para menos o tempo médio de recuperação cada paciente. 

"Estudos apontam que o tempo médio de incubação é de 5,2 dias e o estágio infeccioso, de 2,2 dias. Esse é o momento que você tem que proteger a pessoa para que ela não entre em contato com outras. Se a carga viral do indivíduo aumenta e vêm as complicações, ele precisa ser hospitalizado. O tempo médio de hospitalização é de 10 dias. Então, vamos supor que uma pessoa pegou a doença, ficou cinco dias com o vírus incubado, depois passou por três dias no estágio infeccioso. Já temos oito dias. Se a doença se agravar, ela vai para a UTI e são mais dez dias. Caso não seja curada, essa pessoa vem a óbito. Então, em média, são 20 dias da exposição ao vírus até o óbito, se for o caso", detalha. 

Caso os parâmetros se mantenham, mesmo com as medidas de reabertura do comércio, o DF atingiu o volume máximo de infectados e a tendência de contaminação é de queda. "Essas pessoas agora que vão para o hospital ser internadas caso desenvolvam complicações. Então, agora que vamos ver o pico da hospitalização", acrescenta Alves. Analisando os dados mais recentes, essa taxa de ocupação máxima dos leitos de UTI seria daqui, aproximadamente, 10 a 20 dias, entre o fim de julho e o começo de agosto. Em seguida, consequentemente, a população poderá sentir a elevação mais expressiva no número de vítimas da covid-19.

De acordo com o boletim mais recente publicado pelo observatório, o de número 6, o Distrito Federal não corre risco do chamado 'overflow', ou seja, uma demanda por unidades de terapia intensiva (UTI) acima da capacidade disponível. "Considerando que os dados batem com os indicadores dos cenários típico e pessimista do estudo, Brasília está um pouco mais tranquila com relação à infraestrutura hospitalar. Se as informações do governo estiverem corretas e os leitos disponíveis para atender pacientes com o novo coronavírus, temos 275 leitos na rede privada e 679 na rede pública, ou seja 954", avalia. Até 4 de agosto, as estimativas do uso de leitos feitas pelos pesquisadores da UnB variam entre 309 e 824 de acordo com cenários típico e pessimista, respectivamente.

"Essa desaceleração da pandemia não quer dizer que acabou. Passamos pelo pico de infectados. Se mantivermos esses controles e usarmos da inteligência epidemiológica, rastreando, acompanhando e isolando os casos por meio dos agentes comunitários de saúde, por exemplo, temos condições de reduzir a pandemia", pondera. Por outro lado, Alves explica que, se as medidas de flexibilização resultarem em aumentos constantes, o DF entra no platô. "Você aumenta o número de reprodução base do vírus e vai empurrando o prolongamento da epidemia para frente", acrescenta.