Cidades

Suspeita de destruição de provas colaborou para prisão de picado por naja

Pedro Henrique Lehmkuhl, o jovem picado por uma naja, foi detido por suposto envolvimento em associação criminosa de venda de animais exóticos e silvestres. Ministério Público afirma que ele exercia medicina veterinária ilegalmente

Darcianne Diogo
postado em 30/07/2020 06:00
Pedro Henrique está preso, temporariamente, na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), onde deve ficar, pelo menos, até domingoA Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) finalizou mais uma etapa da operação que ganhou repercussão em todo o Brasil. Na manhã de ontem, , no Guará 2. O estudante de medicina veterinária é investigado por integrar um esquema internacional de tráfico de animais exóticos e silvestres. O amigo dele Gabriel Ribeiro de Moura, 22, também está detido por tentar ocultar provas e atrapalhar as diligências. Os dois estão presos, temporariamente, na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) na Carceragem da PCDF.

O suspeito chegou a ficar internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Maria Auxiliadora, no Gama. Ele recebeu soro antiofídico do Instituto Butantan, em São Paulo, por causa da picada da naja ; uma das cobras mais venenosas do mundo, originária da Ásia. Relatórios obtidos pelo Correio revelam que, supostamente, Gabriel estava com o jovem no dia do ocorrido e que, após o incidente, teria tentado ocultar outras 16 serpentes, que pertencem a Pedro Henrique, no Núcleo Rural de Planaltina, incluindo a naja. Câmeras de segurança do condomínio onde o estudante mora também registraram o momento em que o padrasto dele, o tenente-coronel da Polícia Militar Clóvis Eduardo Condi deixa o local carregando algumas caixas de cobras. Há suspeita de que o militar possa estar envolvido com o grupo que vende animais exóticos e silvestres.

Após receber alta em 13 de julho, Pedro Krambeck não prestou depoimento à polícia, pois estava de atestado médico. A previsão era de que ele comparecesse à delegacia apenas no início de agosto. Contudo, a 1; Vara Criminal do Gama expediu o mandado de prisão temporária. A Justiça constatou indícios de que o estudante e outros investigados formariam uma associação criminosa responsável, entre outras condutas, pela destruição de provas relacionadas aos crimes ambientais apurados pela autoridade policial. Pedro chegou a receber multa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) em R$ 61 mil por criar ilegalmente animais exóticos, por maus-tratos e por dificultar a fiscalização da polícia.

Ofensas

Uma equipe do Instituto de Medicina Legal (IML) acompanhou a operação da 14; DP para verificar o estado de saúde do acusado. Ao chegar na delegacia, Pedro demonstrou irritação com os profissionais da imprensa e reproduziu um gesto obsceno aos jornalistas. Ele assinou um termo circunstanciado de ocorrência pelo ato. O jovem permaneceu por mais de duas horas na unidade policial, mas não prestou depoimento. O advogado de defesa esteve no local, mas preferiu não se manifestar.

Por volta das 12h de ontem, Pedro foi transferido à DCCP, onde ficará, pelo menos, até domingo ; prazo da prisão temporária. A Justiça pode, no entanto, pedir a prorrogação da prisão temporária e, inclusive, convertê-la em preventiva. Caso isso ocorra, o estudante será encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde ficará lotado, por 14 dias, no Centro de Detenção de Provisória II (CDP II), unidade onde os detentos recém-chegados ficam para o cumprimento da quarentena.


Atuação ilegal

A Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (Prodema), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), se manifestou a favor da prisão de Pedro Henrique Krambeck. Segundo os promotores, além da suspeita de participação do jovem em esquema criminoso de tráfico de animais silvestres e exóticos, ele também estaria exercendo ilegalmente a atividade de medicina veterinária.

Em informações divulgadas pelo MPDFT, o estudante aparece em vídeos e em fotos realizando procedimento cirúrgico em uma serpente. O órgão explica que tem acompanhado de perto o inquérito policial no qual teve acesso a elementos-chaves da investigação.

Procurada pelo Correio, o Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos (Uniceplac), instituição onde Pedro estuda, informou que criará uma comissão interna para apurar o suposto envolvimento dele no esquema internacional de tráfico de animais exóticos e silvestres. A faculdade esclareceu, ainda, que a ;a Uniceplac e a coordenação do curso de medicina veterinária não tinham conhecimento da posse ilegal de serpentes ou de quaisquer outros animais silvestres entre alunos;.

Em um documento obtido pelo Correio, uma testemunha da faculdade afirmou, em depoimento aos policiais, que Pedro Henrique comprava e vendia animais exóticos desde 2019. Nas redes sociais, o jovem exibia as serpentes em fotos, incluindo a naja. Em uma das publicações, o suspeito chegou a escrever: ;Dinheiro bem gasto é na compra de répteis;.

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