Cidades

Mais de 1 mil motos arrematadas em leilão circulavam irregularmente no DF

Comerciantes de Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Fercal vendiam as sucatas de motos e clonavam as placas para que elas voltassem a circular

Sarah Peres
postado em 31/07/2020 11:09
Suspeitos compravam motos em leilão e revendiam com placas frias e sem qualquer manutençãoMais de mil sucatas de motos adquiridas em leilões foram apreendidas na manhã desta sexta-feira (31/7), por meio da Divisão de Repressão à Adulteração e Desmanche Ilegal de Veículos (Dirad), ligada à Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri). Os veículos eram vendidos irregularmente por comerciantes. Parte deles produziam placas falsas para não serem descobertos.

A operação da polícia teve como alvo estabelecimentos de Ceilândia, Taguatinga Samambaia e Fercal. Segundo o delegado Erick Sallum, da Dirad, as sucatas vendidas em leilões não podem retornar à circulação, por não serem seguras. ;Essas motos devem ser desmontadas pelo comerciante em até 10 dias, para reaproveitar algumas peças, separadamente. Contudo, alguns têm desrespeitado as normas e, visando obter lucro fácil, as revendem;, explica.

A comercialização clandestina de sucatas é considerada crime contra relação de consumo, cuja pena varia de 2 a 5 anos. Especialistas do Instituto de Criminalística (IC) realizam a perícia das motos apreendidas. Os proprietários e gerentes dos estabelecimentos prestam esclarecimento e também poderão responder por adulteração de sinal identificador, fraudes tributárias, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Os locais receberam multas administrativas do Departamento de Trânsito (Detran).

Revenda perigosa
Ainda de acordo com o investigador, os suspeitos vendiam as motocicletas sem qualquer manutenção, a preços abaixo do de mercado. ;A venda ocorria para a livre circulação, sendo que, parte dos comerciantes, produzia placas frias, que só poderiam ser percebidas por vistoria completa. A venda clandestina dessas motos é muito lucrativa. Em leilão, cada veículo sai por cerca de R$ 300 a R$ 500. Mas eram repassadas a R$ 1,5 a R$ 2 mil;, esclarece Erick Sallum.

O delegado destaca que, por conta da pandemia mundial de covid-19, houve um aumento pelos serviços de delivery e, ;consequentemente, crescimento na procura por motos irregulares para realizar o serviço, por serem mais baratas. Durante as investigações, uma dessas motos chegou a ser apreendida e submetida à perícia, ficando demonstrada a absoluta imprestabilidade para o uso no tráfego.;

O nome da ação recebeu o nome de Operação Frankenstein, livro da escritora britânica Mary Shelley. ;Assim como o personagem da autora, essas motos já mortas, baixadas no sistema RENAVAN, são artificialmente ressuscitadas pelo uso de placas frias e se transformam em fantasmas pelas ruas. Acobertadas pelo anonimato, os veículos colocam em risco a segurança viária, assim como são usadas por criminosos, dificultando a descoberta da autoria dos delitos cometidos;, sinaliza.

;Esse comércio ilegal também absorve parcela de motos roubadas/furtadas no DF. Isto porque as motos de leilão possuem o número de chassi (NIV) raspado. Assim, é possível receptar motos roubadas, suprimir seus números de identificação e camuflá-las como se fossem motos adquiridas em leilão. Nesse contexto, destaca-se uma moto apreendida no ano de 2019 com mais de 300 infrações e cerca de R$ 173 mil em multas;, pontua Erick Sallum.

Demanda nacional

O investigador da Dirad sinaliza que a compra de sucatas adquiridas em leilões para revenda tem crescido pelo país. ;Esse fenômeno de revenda de sucatas de leilão tem sido epidêmico em todo o país, mas nós não vamos deixar esse vírus viário se alastrar na capital. A PCDF, juntamente com os demais órgãos de segurança pública, manterá uma fiscalização rigorosa sobre essa prática. Esperamos que a mensagem passada hoje desestimule todos os demais. Aqui, vender moto-sucata dá cadeia;, garante.

Outro ponto explorado pelo delegado é que a apuração da Dirad identificou que os comerciantes locais têm comprado sucatas de leilões não apenas do DF, mas de outros estados da Federação. ;Os veículos têm sido adquiridos em leilões de estados como Bahia, Goiás, Tocantins e trazidos para a capital. Aparentemente esses locais não estão cumprindo as determinações legais e vendendo essas sucatas sem as baixas e inutilização necessárias;, analisa.
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