Ciência e Saúde

Imagens da sonda Cassini sinalizam a existência de oceano em lua de Saturno

postado em 25/06/2009 07:50

<--
--> <-- --> Enceladus, uma das 53 luas de Saturno, mantém uma superfície de 200;C abaixo de zero. Ainda assim, é capaz de abrigar água em estado líquido e vulcões de gelo. A maior descoberta já anunciada sobre o satélite natural estampa a edição de hoje da revista científica Nature: a sonda Cassini, lançada em 15 de outubro de 1997, detectou sais de sódio expelidos de plumas vulcânicas. Cientista do Instituto para Física Nuclear Max-Planck ; com sede em Heidelberg, na Alemanha ;, Frank Postberg analisou as imagens feitas pela espaçonave no Polo Sul de Enceladus e concluiu que elas seriam uma pista concreta da existência de um oceano no subsolo da lua. A sonda atravessou o anel E, uma região repleta de partículas de gelo. [SAIBAMAIS]Os instrumentos da sonda gravaram o espectro de massa dos grãos gelados que se chocaram com o Analisador de Poeira Cósmica (CDA, pela sigla em inglês) da própria Cassini. ;Por meio do permanente contato da água líquida e do núcleo rochoso de Enceladus, compostos de sal são dissolvidos. Se gotículas da água salgada se formam, elas colidem entre si, congelam e preservam a composição do suposto oceano;, explica Postberg ao Correio, por e-mail. O especialista afirma que os grãos são muito pequenos e podem ser arrastados para cima pelo vapor d;água até as fendas da superfície, em alta velocidade. ;Essa descoberta significa que os jatos de água salgada emergindo do subsolo são alimentados por um reservatório líquido;, acrescenta o cientista. ;Os grãos ricos em sal são, sem sombra de dúvidas, gotículas congeladas de água salgada.; Postberg diz não ter dúvidas de que exista água salgada alimentando as plumas de vapor em Enceladus. ;Isso torna muito provável que esses reservatórios estejam conectados a um oceano, ainda em contato com o núcleo rochoso da lua;, aposta. A certeza em relação à importância da descoberta se sustenta na comparação com outros satélites de Saturno. Até hoje, a ciência especula que Europa possa abrigar um oceano, mas ainda não obteve qualquer prova. ;A Enceladus nos dá acesso direto aos processos de seu subsolo. Ela lança amostras de seu oceano diante da Cassini;, explica. Vida Para Postberg, a descoberta de água salgada e de fontes de calor em Enceladus amplia a possibilidade de que precursores de vida tenham se formado no satélite. ;Na última década, mais e mais achados parecem indicar quais condições favoráveis para habitats são encontradas em mais locais no espaço do que imaginávamos;, observa. Por telefone, de Londres, a carioca Rosaly Lopes-Gautier, cientista principal da missão Cassini, contou ao Correio que as plumas e jatos de vapor saindo de fraturas do Polo Sul de Enceladus indicavam a provável existência de líquido. ;Na verdade, a descoberta de Postberg diz respeito à composição do oceano. Há uns três anos sabíamos da existência de um oceano sob a crosta de Enceladus, por causa dos vulcões criogênicos;, afirma. Rosaly lembra que a missão Cassini descobriu vulcanismo ativo nesse satélite de Saturno, o que aguçou a curiosidade científica em relação ao astro. ;Enceladus é uma lua pequena e não esperávamos achar jatos expelidos de fraturas do Polo Sul;, admite. ;Por esses jatos serem de vapor, chegou-se à compreensão de que haveria água líquida debaixo da camada de gelo. E você tendo água líquida e calor, você tem elementos necessários para a vida começar;, conclui. Na opinião dela, Enceladus pode ter condições de abrigar seres primitivos.

; Ouça o podcast com a cientista carioca Rosaly Lopes e leia a entrevista com Frank Postberg

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