Ciência e Saúde

Países e cidades brasileiras buscam a melhor alternativa para a reciclagem dos resíduos

postado em 15/07/2009 08:00

A vida ficou mais fácil com os produtos industrializados e descartáveis. O problema é que o planeta não suporta tanto lixo. Como consequência de uma consciência ecológica maior e urgente, teve início uma corrida nas últimas duas décadas em todo o mundo para se produzir menos resíduos e aproveitar melhor as embalagens do consumismo. Há estudos em vários países com o intuito de descobrir qual a tecnologia mais eficaz para aproveitar tanto lixo. Muitas dessas experiências buscam tornar os detritos rentáveis, com produção de energia, biogás, combustível ou adubo.

Clique na imagem para ampliarO berço da industrialização, a Inglaterra, é hoje um dos países com um dos índices de reciclagem mais baixos da Europa. Como não há depósitos suficientes para tantos resíduos, multa-se quem joga fora coisas demais. Como no restante da Europa, os ingleses precisam reduzir em 50% o volume de resíduos nos depósitos de lixo até 2015 ; em relação a 1995 ; ou arcar com as pesadas multas impostas pela União Europeia.

O Brasil também entrou nessa luta para buscar solução para o lixo tecnológico, industrial, doméstico e hospitalar. Segundo pesquisa recente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o país produz diariamente 149 mil toneladas de lixo, sendo que 45% têm destinação inadequada ; vão parar nos lixões, ou seja, áreas a céu aberto, sem proteção alguma para evitar a contaminação do meio ambiente.

O país, porém, ganha destaque em experiências bem-sucedidas em várias cidades. Em Uberlândia, Minas Gerais, nasceu há dois anos uma tecnologia que já é utilizada em Portugal, Paraguai, Rio de Janeiro e São Paulo, e é negociada com os Estados Unidos e osEmirados Árabes. A empresa Geociclo utiliza um composto bioacelerador para transformar o lixo orgânico em adubo. Em Portugal, a tecnologia da empresa brasileira será usada nas indústrias de azeite e vinho. ;A vantagem do composto bioacelerador é evitar o chorume, um grande contaminador ambiental;, diz Carlos Avelar, diretor-presidente da Geociclo.

O aterro sanitário, sistema que impermeabiliza o solo e não deixa o chorume infiltrar-se e atingir o lençol freático, é a solução tecnológica mais usada no país. No Distrito Federal, o primeiro aterro sanitário chega 50 anos após a inauguração da capital. Até pouco tempo, todo o lixo produzido pelo brasiliense era despejado a céu aberto, numa área bem próxima à invasão da Estrutural, sem proteção alguma ao solo. É o Aterro do Jóquei, o popular lixão da Estrutural, hoje transformado em aterro controlado, com impermeabilização do solo.

O edital para a construção do aterro sanitário de Brasília será publicado este mês. A empresa vencedora terá um ano, a contar da assinatura do contrato, para construí-lo. A ideia do governo é de que o DF produza cada vez menos lixo com a implantação da coleta seletiva. Mas, diferentemente do que ocorre atualmente no lixão da Estrutural, o gás natural produzido pelo chorume, em vez de queimado deverá ser transformado em energia, que poderá ser utilizada para consumo próprio no aterro ou vendida.

Há, porém, críticas a esse tipo de destinação para o lixo. O prefeito Ivan Rodrigues, de São José dos Pinhais, cidade de 300 mil habitantes na região metropolitana de Curitiba, afirma que os aterros não são a melhor solução. O solo é impermeabilizado para o chorume não atingir o lençol freático, mas o lixo está lá, enterrado. ;Em países como Áustria, Alemanha e Suíça, a regra é não gerar passivo ambiental, um problema que o aterro sanitário não resolve;, diz ele, que defende para a região de Curitiba a construção de quatro ou cinco usinas, cada uma utilizando tecnologia diferente. ;Com o tempo vamos ver qual a melhor;, opina.

Por falta de espaço, o aterro sanitário deixou de ser solução em países onde não há terrenos disponíveis. No Japão, o lixo simplesmente queimado. Já a Áustria optou pelo sistema chamado de Biopuster, adotado recentemente em Maringá, no Paraná. É a primeira experiência com essa tecnologia na América Latina. ;É um sistema compatível com o orçamento de um aterro sanitário. A vantagem é a necessidade do uso de menos área;, explica Orlando Bruno Neto, representante da Biopuster no Brasil. Em Maringá, a tonelada de lixo tratado ; transformado em adubo ; custa R$ 80. No DF, o governo vai pagar R$ 35 pela tonelada de lixo in natura entregue ao aterro sanitário.

Em Curitiba, com a saturação do aterro de Caximba, criado em 1989, a proposta é criar um sistema integrado de reciclagem, compostagem (transformação do lixo em adubo) e biodigestão (produção de biogás ou de adubo). E no prazo de três ou quatro anos, nada deve ser enterrado. ;Não temos como implantar um aterro integrado como o que se pretende em Curitiba. A população de Brasília precisa primeiro ser educada, aprender a reciclar;, diz o secretário de Meio Ambiente do DF, Cássio Taniguchi. ;O que adianta transformar o lixo aterrado em adubo, pagar a mais por isso, se o lixo está contaminado por descartes impróprios que vão resultar em um adubo que não poderá ser usado no meio ambiente?; Economicamente, segundo ele, o aterro sanitário é a melhor tecnologia hoje para o DF.

; Tecnologia brasileira


O composto é aplicado em 50 litros por tonelada de lixo orgânico, que não pode ser aterrado porque o oxigênio ajuda no processo de decomposição. O prazo de compostagem é reduzido, em média, de quatro para um mês. Nutrientes são adicionados à massa para a produção do adubo

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