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Correio Braziliense

Resfriado, gripe ou rinite? Sintomas parecidos, males diferentes


postado em 02/09/2009 08:15 / atualizado em 02/09/2009 11:35

Em tempos de gripe suína, basta um espirro para atrair olhares desconfiados. A irritação da mucosa nasal, porém, pode ter várias outras origens, assim como tosse, febre e dores pelo corpo. De alergias respiratórias a pneumonia, é vasta a lista de doenças que, no frio e na seca, costumam atacar a população. O importante, segundo especialistas, é não entrar em pânico — mesmo se confirmada o ataque pela mutação do vírus A — e consultar um médico que vai indicar a melhor terapia para cada problema.

Como os sintomas são parecidos, costuma-se confundir os males do aparelho respiratório. A intensidade dos incômodos é uma forma de diferenciá-los. O resfriado, por exemplo, em princípio pode se assemelhar à gripe sazonal, provocada pelo vírus influenza. Porém, dificilmente apresenta febre. “O resfriado não leva aos sintomas sistêmicos, como dor no corpo, falta de apetite e fraqueza. Quando aparece febre, é baixa, de no máximo 37,5º”, explica o pneumologista do Hospital Universitário Ricardo Martins, professor da Universidade de Brasília e membro da comissão de infecções respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

Diferentemente da gripe, o resfriado pode ocorrer várias vezes durante o ano. Causado por vírus menos agressivos, geralmente se manifesta por congestão nasal e coriza. Como são sintomas mais leves, não há necessidade de se afastar das atividades cotidianas nem de tomar remédios, pois, assim como chega, ele vai embora. Em média, a recuperação acontece de três a cinco dias. Para amenizar os desconfortos, porém, os médicos recomendam a ingestão de líquidos e a higiene nasal.

Mortes
Já a gripe sazonal é mais severa. “Se não for acompanhada, ela pode até mesmo matar, porque o quadro pode evoluir para pneumonia viral”, conta o pneumologista Ricardo Martins. De acordo com o Ministério da Saúde, a mortalidade pela infecção do vírus influenza é de 0,45%, índice igual ao da gripe suína. Somente no ano passado, 70.142 brasileiros morreram devido a complicações da doença. Os sintomas são parecidos com os do resfriado, só que mais agressivos.

“A gripe deixa a pessoa comprometida no dia a dia, a pessoa fica acamada, tem febre e precisa ficar em repouso”, diz Martins. Para evitá-la, a alergista Marta Guidacci, da Amil, recomenda a vacinação seis meses antes do inverno. “O índice de proteção é alto, varia de 70% a 90%. Apesar de a rede pública oferecer a vacina somente para idosos, todos podem tomá-la”, diz. Só não podem ser imunizadas pessoas com alergia aos componentes proteína do ovo, neomicina e timerosal. Doenças neurológicas também são um fator impeditivo.

Provocada pela mutação do influenza, a gripe suína tem sintomas semelhantes à sazonal, mas, pelo que os cientistas já sabem, é mais agressiva. Para evitar complicações, é preciso tratá-la de imediato e o paciente deve ser acompanhado pelo médico durante toda a enfermidade. A principal diferença entre as duas gripes é o teor da febre. Quem pegou o tipo A fica com a temperatura acima de 38,5º e, além disso, de acordo com o Ministério da Saúde, pode ser acometido por sintomas atípicos, como dor no estômago, náuseas e vômitos.

Sem pânico
Tão importante quanto tratar da nova gripe é não entrar em pânico por causa dela. “O fato de ter pego a gripe não quer dizer que a pessoa vai desenvolver complicações nem que vai morrer por causa dela. A gripe A não condena ninguém à morte”, faz questão de frisar Ricardo Martins. Ele esclarece que a chance de ser infectado pelo vírus mutante é igual para todos, mas que obesos mórbidos e gestantes estão mais sensíveis às complicações desencadeadas pela doença. Os motivos ainda são um mistério para os médicos.

Confundidas muitas vezes com as gripes e os resfriados, as rinites alérgicas não têm qualquer relação com vírus e bactérias, mas apresentam sintomas semelhantes. “Muita gente fala que vive gripada, mas isso não existe. O que acontece é a rinite alérgica”, explica a alergista Marta Guidacci. Segundo ela, quem sofre do mal tem vários episódios de obstrução nasal, espirros e coriza. “Às vezes, acontece várias vezes na semana”, diz. O que provoca a alergia são agentes irritantes da mucosa nasal, como ácaros, fungos e pelos de cachorro. Para identificar se é ou não sensível a essas substâncias, o paciente faz um teste cutâneo que fica pronto em 20 minutos. Mais caro e complexo, o exame de sangue também é capaz de identificar o problema.

O tratamento da rinite alérgica é feito com remédios e vacinas mas, principalmente, pelo controle ambiental, que consiste em diminuir a exposição aos agentes alérgenos. “É importante evitar que se acumule pó em casa, evitar bichos de pelúcia e colocar capas nos travesseiros por causa dos ácaros”, diz Marta Guidacci. Ela conta que o problema não está propriamente no ácaro, mas nas fezes do artrópode. Segundo a médica, em cada grama de poeira existem cerca de 64 mil bolas fecais.

Seca
Quem tem bronquite e asma também costuma sofrer nessa época do ano, em que as manhãs e as noites são frias e a umidade do ar cai. Na estação seca, a incidência de doenças respiratórias aumenta 40%, segundo a especialista em patologia clínica Flávia Segatto, do Exame Medicina Diagnóstica/Dasa. “A diminuição da umidade do ar e o frio podem funcionar como um irritante para as vias aéreas, além da inversão térmica, responsável pelo acúmulo de poluentes na atmosfera”, diz.

De origem genética, a asma é a inflamação crônica das vias aéreas, caracterizada por chiados no peito, falta de ar e dores torácicas. A bronquite, conta Flávia Segatto, é muito confundida com a doença, mas esta é provocada por infecções, agentes irritantes e alergias, que provocam a inflamação dos brônquios. Mais branda que a asma, a bronquite aguda pode até mesmo desaparecer sozinha. Já os asmáticos precisam de acompanhamento médico para o resto da vida.

 

 Medo da gripe suína faz pessoas confundirem ainda mais os sintomas: o importante é ter calma e consultar um médico(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press)
Medo da gripe suína faz pessoas confundirem ainda mais os sintomas: o importante é ter calma e consultar um médico (foto: Iano Andrade/CB/D.A Press)
 

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