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Correio Braziliense ENTREVISTA ROBERTA PALERMO

Papéis dos pais e da babá na educação das crianças


postado em 20/10/2009 07:00 / atualizado em 20/10/2009 10:05

Como surgiu a idéia de escrever um livro sobre este assunto?
As mães estão delegando demais os cuidados da criança para a babá. Normalmente esperam que a babá saiba lidar com uma série de situações problema que aparecem no dia a dia e nem sempre ela sabe o que fazer, principalmente porque cada família é única e nem sempre a babá pode resolver da maneira que fazia anteriormente. Montei uma formação de babás diferenciada há 4 anos, e pude perceber várias mudanças quando a babá e os pais tem a quem recorrer para tirar as dúvidas. A ideia do livro foi dar a oportunidade desse espaço de diálogo para todos os pais e babás do Brasil. Ele traz dicas para que os pais assumam mais os cuidados da criança e passem a ver a babá como apoio e há também dicas para a babá entender melhor o que os pais esperam de seu trabalho.        
 
Qual a principal dificuldade das mães em relação às babá?
O maior problema é quando a babá não segue as regras dos pais. A babá tem que fazer o que os pais querem, mesmo que não faça sentido à ela. A babá até pode levar uma dica, uma sugestão diferente, mas se mesmo assim os pais quiserem manter sua ideia original, tudo bem. Os pais decidem e a babá não pode ficar de cara feia.

E das babás em relação às mães?
As mães não podem desvalidar a babá na frente da criança, também não podem expô-la a situações ridículas, como passar a falar com o marido ou familiares, em outra lingua, na frente dela, para ela não entender sobre o que estão falando.

 
Existe uma 'babá perfeita'? Como encontrá-la?
O ideal é que a babá seja indicada por um familiar ou amiga que não ficará mais com a profissional. Familiares de uma funcionária de casa também é uma boa dica. Caso não exista nenhuma dessas possibilidades, as agências de emprego podem encaminhar uma boa profissional.  A boa babá é a que não mente, que não judia da criança e segue as regras dos pais da criança.
 

Na sua opinião há uma certa delegação excessiva de funções das mãe para as babás?
A babá deveria ser um apoio, mas nos dias de hoje passou a assumir todas as atividades de cuidado da criança. É a babá quem dá o banho, alimenta, brinca, troca a fralda, acorda a noite, corta a unha, etc. Na folga da babá, os pais contratam a folguista, enfim, não assumem em momento algum o cuidado sozinhos. O que os forçaria a ter esse vínculo com a criança, essa responsabilidade de cuidar, seria não ter a babá por perto quando estão em casa e nos finais de semana. O problema não é ter a babá e sim o comodismo que a presença dela tem trazido para dentro de casa. É muito importate que os pais descubram qual atividade de cuidado gostam de fazer e passem a ser mais presentes nesses momentos.  A criança quer que os pais cuidem delas. Por que a criança tem que entender que os pais estão em casa, mas ela vai almoçar com a babá?
 
 
Que dicas você daria para essa convivência ser o mais proveitosa possível?

Existe uma hierarquia, os pais e a babá são os adultos, portanto eles mandam. Os pais têm que deixar claro que em sua ausência, a babá manda, mesmo que ela não tenha a autonomia para tomar algumas decisões. Os pais devem dizer até onde ela poderá chegar e caso não gostem de alguma atitude conversam depois, longe da criança. A criança nunca poderá ter a autorização de mandar na babá. A babá nunca deve compactuar com a criança e esconder algo dos pais.
Por mais que a babá acabe se tornando uma pessoa íntima na família, afinal ela passa muito tempo com eles, é importante que a babá e os pais se lembrem que ali é um local de trabalho da babá, portanto ela não poderá se tornar uma grande amiga e confidente. É comum a profissional se envolver em saias justas por se sentir muito íntima e acabar não tendo mais clima profissional nesse trabalho.

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