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Correio Braziliense BIOLOGIA

Espécie de formiga gera apenas fêmeas


postado em 28/11/2009 07:00

Exemplar da Mycocepurus smithii: cientistas ainda não sabem por que não nascem mais machos da espécie(foto: April Nobile/Divulgação)
Exemplar da Mycocepurus smithii: cientistas ainda não sabem por que não nascem mais machos da espécie (foto: April Nobile/Divulgação)
O sexo pode realmente não fazer sentido algum para algumas espécies do mundo animal. Sobretudo para as formigas Mycocepurus smithii. De acordo com estudo divulgado por uma equipe de pesquisadores da Universidades Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade do Texas (EUA), ao longo de milhares de anos a espécie passou a colocar ovos que se desenvolviam sem a necessidade de fertilização, devido a um mecanismo ainda desconhecido pelos cientistas. O mais surpreendente é que, do processo, nascem apenas fêmeas — operárias estéreis ou futuras rainhas — e nenhum macho sequer.

Outros tipos de formiga também são capazes de se reproduzir sem a fecundação da fêmea pelo macho, porém, segundo os pesquisadores, nessas espécies ocorre o nascimento de indivíduos do sexo masculino, o que não ocorre entre entre as M. smithii.

A falta de machos para a reprodução pode ser sinônimo de escassez. Talvez seja este o motivo para tanta estranheza diante de uma espécie que rejeita um parceiro e ao mesmo tempo não dá sinais de extinção. Para o biólogo e professor Mauricio Bacci, da Unesp, a reprodução sem parceiro já custou a perpetuação de algumas espécies. “No sexo, o material de macho e fêmea se mistura e isso proporciona um aumento da diversidade genética. É o que prepara a espécie para o futuro”, destaca. O professor esclarece ainda que a atividade sexual das outras formigas é considerada trabalhosa. Rainhas e machos fazem o voo nupcial à procura de parceiros diferenciados. Depois do ato, os machos morrem, enquanto as rainhas procuram o melhor lugar para estabelecer seus formigueiros.

Um dos destaques da pesquisa é o trabalho feito pelo pesquisador Christian Rabelling, da Universidade do Texas. Ele conheceu a espécie durante uma série de escavações na Amazônia e depois de várias análises descobriu que a formiga, que existe há cerca de um milhão de anos, possui ovários bem desenvolvidos. Numa outra frente, uma colega de doutorado do pesquisador norte-americano, Anna Himmler, chegou a aplicar antibióticos e mudar a dieta dos formigueiros, tudo para incentivar a produção de machos. A técnica, no entanto, não apresentou sucesso algum. “Apesar de alguns resultados, ainda são muitos os mistérios a serem desvendados em relação à M. smithii”, garante Bacci. (GC)

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