Jornal Correio Braziliense

Ciência e Saúde

Anvisa pede a médicos que tomem cuidado com medicamentos para emagrecer à base de sibutramina

Agência avisa que fará nova avaliação, podendo levar "a outras medidas restritivas ao uso da substância"

Alerta divulgado ontem pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pede para que os profissionais da saúde tenham cuidado ao receitar a substância sibutramina a seus pacientes. O remédio, vendido com os nomes Reductil, Reduxade, Zelium e Meridia, é usado no tratamento para a perda de peso. O Brasil, de acordo com relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), continua sendo o que mais consome esse tipo de medicação no mundo. A posição da Anvisa foi tomada de acordo com a determinação da Agência Europeia de Medicamentos, que baseada no Estudo Scout, proibiu a venda da sibutramina e a prescrição por médicos na Europa. Portanto, a partir da análise do estudo, a Anvisa recomenda a contraindicação do uso do remédio para pacientes com os seguintes perfis: que apresentem obesidade associada à existência de doenças cardio e cerebrovasculares; e aqueles que apresentem diabetes mellitus tipo 2, com sobrepeso ou obesidade e associada a mais um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A Anvisa afirmou ainda que fará, por meio da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme), nova avaliação do estudo, com o objetivo de investigar os níveis de segurança do medicamento em pacientes com perfis distintos dos já estudados. ;Essa avaliação poderá levar a agência a determinar outras medidas restritivas ao uso da substância;, afirma o comunicado. Procurados novamente pelo Correio, os médicos que defenderam ontem a medicação mantêm o posicionamento, mesmo após a recomendação da Anvisa. O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Ricardo Meirelles, diz que a retirada da sibutramina do mercado europeu foi precipitada, pois se baseia em dados já conhecidos do Estudo Scout, no qual 11,4% dos pacientes que utilizaram a sibutramina tiveram um evento cardiovascular. Segundo ele, o estudo incluiu cerca de 10 mil doentes com mais de 55 anos e histórico de doenças cardiovasculares ou diabetes tipo 2 com um fator de risco cardiovascular adicional. Ele destacou ainda que, no Brasil, os órgãos regulatórios precisam reforçar a advertência de que a sibutramina não deve ser usada por pacientes com doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, hipertensão arterial não controlada, arritmias e outros problemas cardiovasculares graves. Segundo a endocrinologista Elisiane Brandão Leite, o comunicado da Anvisa não muda em nada na prática, pois os profissionais sempre tiveram o cuidado com esse tipo de paciente. ;O paciente com esses fatores que é medicado pelos endocrinologistas já é observado. Já existe uma contraindicação e os pacientes são analisados caso a caso;, afirma. "O paciente com esses fatores que é medicado pelos endocrinologistas já é observado. Já existe uma contraindicação e os pacientes são analisados caso a caso; Elisiane Brandão Leite, endocrinologista