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Correio Braziliense

Teste avalia tendências à calvície

Chegou ao Brasil no fim de maio o HairDX, tipo de exame genético que calcula as possibilidades de perda de cabelos antes dos 40 anos. Permite ainda antecipar terapias


postado em 07/06/2010 08:14 / atualizado em 07/06/2010 10:26

Careca, pouca telha, aeroporto de mosquito e por aí vai. Os apelidos, nada agradáveis de se ouvir, são bem familiares entre aqueles que sofrem com a calvície. E o time de calvos e calvas é bastante expressivo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que metade dos homens do planeta e um quarto das mulheres são vítimas do problema. A incidência aumenta com a idade, mas 80% das pessoas que têm a predisposição genética ao transtorno desenvolvem a alopecia androgenética, nome científico do distúrbio, dos 24 aos 26 anos.

O tratamento nem sempre traz bons resultados porque a calvície é visível apenas quando as vítimas já perderam 50% do volume do cabelo. Mas atualmente um alento está no ar. Já é possível se antecipar aos efeitos da patologia. Acaba de chegar ao Brasil o HairDX, teste que avalia a predisposição genética dos pacientes para desenvolver a calvície antes dos 40 anos. A dermatologista norte-americana responsável pelas pesquisas médicas do HairDX, Sharon Keene, esteve em São Paulo no último 21 de maio para apresentar a novidade.

O exame é simples. Uma amostra da mucosa da bochecha do paciente é colhida em consultório médico por meio de uma haste parecida com um cotonete. O material é enviado para os Estados Unidos e o resultado chega para o especilista por e-mail em 20 dias. “Baseado no gene AR do cromossomo X, o teste aponta a chance para a calvície e relata variações genéticas presentes em mais de 95% dos homens calvos. Pessoas com essa variação apresentam um risco de 70% de ficarem calvas antes dos 40 anos”, explica a médica. O exame ainda informa se está presente uma variante menos comum do mesmo gene que indica 85% de chance de alguém não ficar calvo antes dessa idade.

Tratamento
Para o dermatologista Arthur Tykocinski, o grande benefício do HairDX é proporcionar ao paciente um tratamento antecipado, caso o resultado tenha identificado a propensão à patologia. “Muitas vezes o paciente não apresenta ainda os sinais clínicos da calvície e isso gera a dúvida diagnóstica. O teste tira essa desconfiança e indica a necessidade do tratamento. O interessante é que também temos pacientes que chegam preocupados aos consultórios porque alguém da família é calvo. Se essa pessoa faz o exame e o prognóstico é negativo, os medicamentos são descartados e ela não corre o risco de tomar remédios sem necessidade”, pontua o médico. O HairDX custa a partir de US$ 200, o equivalente a R$ 362.

A calvície tem causas genética e hormonal. Ela ocorre quando os folículos capilares são expostos a uma grande quantidade de dihidrotestosterona (DHT) —substância produzida pela testosterona — manifestando-se na região frontal ou na parte superior da cabeça. Os fios vão caindo gradativamente. A dermatologista Grace Caldas explica que quando a herança genética da calvície é materna, o risco dos filhos terem o problema é maior.

 

Ouça entrevista com a dermatologista Grace Caldas

 

 

A saída é assumir
O gerente de projetos Décio Carretta percebeu que não teria como fugir da perda progressiva da cabeleira quando tinha 25 anos. Hoje, aos 49, ele conta que decidiu assumir a falta dos fios. “Meu pai era cabeludo, mas minha mãe é calva. Aos 30 anos, as entradas eram evidentes. Sem exagero nenhum, foi desesperador. O cabelo é a moldura do rosto e os carecas são alvo de brincadeiras de mau gosto, somos muito ridicularizados. Isso constrange, compromete a autoestima e chateia”, observa.

Embora tenha tentado impedir a progressão acentuada da queda dos fios com tratamento tópico e oral, Décio acabou se rendendo à sugestão da mãe. Hoje, quando faz a barba, diariamente passa a máquina zero nos poucos fios que restaram. Antes disso , ele admite que tentou, inclusive, soluções caseiras que não resolveram nada.

O gerente de projetos Décio Carretta sendo examinado por um dermatologista: ele percebeu que não teria como fugir da perda progressiva da cabeleira(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )
O gerente de projetos Décio Carretta sendo examinado por um dermatologista: ele percebeu que não teria como fugir da perda progressiva da cabeleira (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press )
“Tomei também o medicamento usado até hoje para impedir a queda. Trata-se de uma droga forte e fiquei assustado em saber que teria que tomá-la para o resto da vida se quisesse manter o que havia restado dos fios. Um dia, minha mãe virou pra mim e falou que eu tinha o rosto bonito e que deveria assumir minha careca. Resolvi considerar e não me incomodo mais”, revela.

O medicamento a que Décio se refere tem como princípio ativo a finasterida, antiandrógeno inibidor da enzima que converte a testosterona em dihidrotestosterona, prevenindo assim a queda dos cabelos. “O problema é que muitos pacientes colocam nos remédios orais a expectativa de que eles podem trazer os fios perdidos de volta, e isso não ocorre já que as drogas disponíveis apenas impedem a continuidade da queda”, esclarece Grace. Além disso, existe a possibilidade de efeitos colaterais, como a diminuição da libido em homens e mulheres. Para elas, o risco é maior.

“O benefício é o mesmo. Aliado ao produtos tópicos, os cabelos param de cair. Mas, se a mulher engravidar e o bebê for menino, a possibilidade de feminilização e alteração da genitália é alta. Já contamos com laser para tratar a alopecia androgenética na fase inicial. Teoricamente funciona, mas como ainda é uma tecnologia nova, não sabemos se ela é realmente duradoura”, pondera a dermatologista.

Abalo emocional
Não é possível determinar o tempo entre a fase de miniaturização dos fios — quando o cabelo começa a ficar mais fino, curto e frágil — à calvície total. Esse fator depende do tipo e da quantidade dos genes que o indivíduo apresenta. Se até os 30 anos a queda não foi tão acentuada, é provável que continue assim até a velhice. “De qualquer forma, quando a pessoa começa a perder os cabelos, o lado emocional é abalado. Alguns pacientes passam até por processo de depressão. Por isso, o ideal é que se procure o dermatologista o quanto antes para avaliar o custo-benefício dos tratamentos. Hoje, também dispomos de técnicas de implantes que proporcionam bons resultados”, acrescenta Grace.

O bacharel em direito Leonardo Henrique Nascimento, 24 anos, gostou de saber da novidade HairDX. Ele diz que por menos vaidosa que seja a pessoa, ninguém optaria por ficar careca quando há a possibilidade de evitar o transtorno. “Meu pai, meu avô e meus tios são calvos. Tenho muito cabelo e provavelmente puxei à família da minha mãe. De qualquer forma, não quero ter esse problema e assim que o exame chegar a Brasília toparia fazer para tirar o receio ou ter a oportunidade de me tratar antes que os cabelos comecem a cair”, admitiu.

 

 

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