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Correio Braziliense

Cuidados na ponta dos dedos

Especialistas advertem pessoas que frequentam salões de beleza e clínicas de podologia sobre os riscos de tomarem o caminho errado na hora de tratar de uma lesão nas unhas. O certo é procurar, primeiro, um dermatologista


postado em 18/06/2010 08:13 / atualizado em 18/06/2010 09:07

Um famoso ditado diz que a saúde começa pela boca. O que pouca gente sabe é que ela também passa pelas unhas dos pés e das mãos. Mais do que um símbolo de beleza, unhas bem cuidadas são o cartão de visitas de qualquer pessoa. Para desempenhar funções tão importantes, além dos zelos estéticos, é preciso ficar atento para mantê-las saudáveis. Um ferimento mal tratado pode ser a porta de entrada para fungos, bactérias e até vírus. Mas com um pouco de atenção não é difícil preservar a saúde das mãos e das unhas.

Para Gilvan Alves, que preside a unidade regional no DF da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o cuidado com as unhas deve ser o mesmo dispensado ao restante do corpo. “Muita gente acha que as unhas não têm vida e que não servem para nada, mas elas são a extensão dos nossos dedos e são muito úteis”, conta o médico. Ele explica ainda que a posição onde elas se encontram em nosso corpo as deixa mais vulneráveis que outras partes. “As unhas sempre vêm à frente. Quando batemos o pé em algum lugar, por exemplo, são elas que primeiro sofrem o choque”, afirma.

Ele conta que muitos mitos envolvem essas extremidades dos dedos. “É comum ouvir relatos de que o esmalte atua como protetor, ou de que aquela massinha que cresce debaixo da unha é sujeira”, conta o dermatologista. “O esmalte agride a unha; é um produto químico que atua sobre ela e a desgasta. E a massinha que muitas mulheres mandam a manicure extrair é aquilo que a mantém presa ao dedo. Retirando-a deixamos ela totalmente desprotegida”, alerta Gilvan.

Os mitos
Núbia só faz mãos e pés em salões de beleza com os próprios materiais. Leva lixas e alicates para a manicure (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Núbia só faz mãos e pés em salões de beleza com os próprios materiais. Leva lixas e alicates para a manicure (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press)
Quem pensa que para elas crescerem fortes e saudáveis é importante ingerir leite e outras fontes de cálcio está enganado. “As unhas não são ossos, nem são feitas de cálcio. A unha é feita basicamente de proteínas”, afirma o médico. “Assim, quem quer promover o seu crescimento deve comer carne e outros alimentos proteicos, além de fontes de vitaminas do complexo B e as hortaliças verdes”, completa. Desse modo, quem quer mantê-las resistentes deve apelar mesmo é para o arroz, os cereais. O excesso de esmalte pode ser a causa do enfraquecimento das unhas, que ficam rugosas e apresentam estrias verticais em sua superfície. Os especialistas afirmam que, para evitar esse tipo de problema, é importante deixá-las ao natural pelo menos uma semana por mês. Sete dias longe do esmalte, acetona, alicate e lixa facilitam a sua recuperação, devolvem o brilho e impedem que elas se quebrem com facilidade.

A vendedora Núbia Pereira, 27 anos, que afirma fazer as unhas toda semana, toma mais cuidado com as suas do que a maioria das pessoas. “Eu uso hidratante sempre, não corto muito curto e mantenho elas sempre secas . Para não deixar que elas fiquem encravadas, as deixo sempre retas”, conta. “As pessoas não dão o devido valor às próprias unhas, por isso têm tantos problemas. Eu cuido das minhas e elas estão sempre saudáveis”, afirma.

Núbia tem uma boa estratégia para evitar contaminações nos salões de beleza. “Eu tenho um kit com alicate, espátula e lixa que levo sempre comigo. Acho mais higiênico usar uma coisa que é só minha”, diz. Sua atitude está mais do que correta segundo a diretora da Vigilância Sanitária do DF, Maria das Graças Ferreira. “Um objeto mal esterilizado pode ser fonte de contaminação. Assim, além do alicate, é bom que cada um tenha todos os utensílios individuais, como toalhas e lixas”, orienta a diretora.

Os perigos do inverno
O inverno é o período do ano mais propício ao surgimento de problemas nas unhas. As baixas temperaturas provocam ressecamento e os fungos atacam com mais frequência. “Nessa época as pessoas usam calçados fechados e isto facilita a proliferação de fungos”, explica a podóloga coordenadora da clínica Bio Pé, Maria Marli Martins de Souza. “Muitas vezes as pessoas usam um mesmo sapato por vários dias seguidos; ou calçam aquela bota que ficou guardada no armário durante o ano todo sem higienizá-la antes. Isso é o primeiro passo para adquirir algum problema” afirma.

Ela conta que antes de utilizar algum calçado, as pessoas precisam higienizá-lo com álcool 70% e, de preferência, deixá-lo no sol por um ou dois dias. “Além disso, só deveriam calçar meias feitas de algodão, que absorvem o suor do pé, e trocá-las a cada seis horas. Outro ponto importante é não utilizar um par de sapatos por mais de um dia seguido, sempre que possível alternando com sandálias e outros calçados aberto”, explica a podóloga.

Se qualquer problema surgir, é importante recorrer ao profissional certo. Segundo o dermatologista Gilvan Alves, o médico deve sempre ser consultado. “Porque assim ele poderá dizer se o caso é apenas uma pequena lesão, um fungo, bactéria ou vírus, ou um problema mais sério como câncer, que também pode atingir a superfície das unhas”, aconselha.

Descoberto o problema, o profissional de saúde pode encaminhar o paciente para outro médico ou para uma podóloga, que efetuará o tratamento de unhas encravadas ou contaminações. As manicures devem atender unicamente tratamentos de higienização e estéticos. “As pessoas nunca devem fazer qualquer tratamento invasivo, ou seja, que perfure a superfície da pele, em salões de beleza, já que estarão expostas à contaminação de doenças”, alerta Maria das Graças, da Vigilância Sanitária.


Serviço
Caso algum cliente encontre alguma irregularidade, como produtos sem rótulo ou locais sem a devida higiene, deve entrar em contato com a Inspetoria Sanitária da sua cidade, ou diretamente com a central da Vigilância Sanitária pelos telefones:
  • (61) 3325-4808
  • (61) 3325-4806


Ouça entrevista com Maria das Graças Ferreira, diretora da Vigilância Sanitária do DF, e conheça regras para abrir um salão

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