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Correio Braziliense

Homem colaborou com a extinção dos mamutes


postado em 06/07/2010 07:00

A extinção dos mamutes e de outros grandes mamíferos há mais de 15 mil anos pode ser explicada pelo mesmo tipo de efeito cascata no ecossistema que tem sido observado atualmente, com a morte em massa de predadores como lobos, pumas e tubarões. A tese foi defendida por um grupo de cientistas na publicação especializada BioScience.

Assim como no caso das espécies atuais, dizem os pesquisadores, por trás da extinção dos mamutes está a mão do homem. Porém, há 15 mil anos, o problema não foi a perda, mas a adição de um predador-chave na cadeia alimentar: de posse das armas para caçar, como lanças, o homem desbalanceou a ordem natural da predação, tornando-se mais poderoso, por exemplo, do que o tigre-dente-de-sabre. Um equilíbrio que havia sobrevivido por milhares de anos foi, de repente, interrompido, o que explicaria a perda de dois terços dos grandes mamíferos que viviam na América do Norte no período.

“Nós sugerimos que a chegada dos humanos à América do Norte desencadeou uma cascata alimentar na qual a competição pelos maiores predadores foi intensificada, fazendo com que os carnívoros não humanos dizimassem os grandes herbívoros”, disse ao Correio Blaire Van Valkenburgh, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade da Califórnia e coautor do estudo.

Segundo ele, a presença dos humanos foi diferente do que ocorreu com a chegada anterior de outros predadores, como os leões, porque os homens também eram onívoros e capazes de sobreviver comendo apenas plantas, se fosse necessário. “Acreditamos que isso pode ter desencadeado um colapso em sequência não apenas dos grandes herbívoros, mas de seus predadores também. O homem tinha outras defesas contra seus predadores, como o fogo, as armas e a vida em grupo, que davam a ele mais possibilidades de sobrevivência”, afirmou Van Valkenburgh.
No artigo, o principal autor, William Ripple, da Universidade Estadual de Oregon, diz que, “por décadas, os cientistas têm debatido as causas dessa extinção em massa, e as duas teorias que mais se sustentam são as da pressão advinda da caça com a chegada dos humanos e as mudanças no clima”. Ele explica que, no período Pleistoceno tardio, os grandes predadores dominaram a América do Norte com uma enorme quantidade de mamíferos: mamutes, mastrodontes, preguiças-gigantes, camelos, cavalos e várias espécies de bisões. Ainda assim, não havia desequilíbrio na cadeia alimentar até entre 10 mil e 15 mil anos atrás.

Efeito dominó
Os grandes herbívoros, ao que parece, se multiplicaram rapidamente, garantindo a refeição dos carnívoros, mesmo com tanta competição. Como também havia boa quantidade de plantas, os animais que não comiam carne tinham facilidade para se alimentar, e o sistema estava balanceado. Com a chegada dos humanos, porém, o mecanismo da extinção foi desencadeado. “Acreditamos que o desequilíbrio do ecossistema resultou em um efeito dominó. Alguns animais podem ter sido extintos pela falta de uma cadeia alimentar. No caso dos mamutes e dos tigres-dente-de-sabre, é bem provável que tenha sido a adição de outra peça, o homem, no ambiente”, sustenta Ripple.

Para os cientistas, a descoberta serve de alerta à humanidade. “Essa trágica extinção de espécies que vem ocorrendo agora pode repetir o que ocorreu mais de 10 mil anos atrás. Porém, não é tão tarde para alterar o curso dos acontecimentos se houver interesse em preservar os ecossistemas do planeta”, escreveram.

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