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Correio Braziliense

Espécie de dinossauro encontrada na Romênia


postado em 31/08/2010 07:00

Apesar das centenas de fósseis de dinossauros já escavados por paleontólogos, até hoje persistia entre os cientistas uma dúvida: como se pareciam os grandes répteis do fim do Período Cretáceo que viviam no que hoje é a Europa oriental? Uma nova espécie descoberta na região da Romênia pôs fim à questão. Eles eram animais tão feios que pareciam dragões; seus ossos não eram bem articulados, mas fundiam-se uns com os outros; e possuíam duas garras assustadoras em cada pata traseira. Apesar disso, eram pouco maior que um peru.

Esquema mostra ossos encontrados e a aparência do Balaur bondoc(foto: Mick Ellison/Divulgação )
Esquema mostra ossos encontrados e a aparência do Balaur bondoc (foto: Mick Ellison/Divulgação )
Descrito na edição desta semana do jornal especializado Proceedings of the National Academy of Sciences, o monstrengo de 60 milhões de anos foi batizado pelos pesquisadores que o encontraram de Balaur bondoc, que em romeno significa “sólido dragão”, em referência a seus fortes ossos e músculos. De acordo com Mark Norell, chefe da divisão de paleontologia do Museu Americano de História Natural e um dos autores do artigo, a descoberta é importante por dois motivos: fósseis de dinossauros carnívoros são extremamente raros na Europa, onde predominavam os animais herbívoros, além do fato de que as características físicas do Balaur sugerem uma paisagem muito diferente do atual continente, em relação ao ambiente que dominou o fim do Cretáceo europeu.

Em uma teleconferência de imprensa, Norell explicou que, na época do Balaur, a Europa oriental estava inundada por mares profundos e se restringia a um arquipélago dominado por animais menores e mais primitivos do que os que viviam em territórios amplos, como o local onde hoje é a África. “O Balaur provavelmente foi o maior predador desse ecossistema. A descoberta foi muito importante para nós porque fragmentos desse dinossauro foram encontrados mais de 10 anos atrás, mas a morfologia era tão estranha que não fazíamos ideia de como juntar as peças”, contou ao Correio Zoltán Csiki, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Bucareste.

De acordo com Csiki, o fóssil, escavado pelo geólogo e também autor do estudo Mátyás Vremir, da Sociedade de Museologia da Transilvânia, era pesado, tinha membros robustos e ossos fundidos. “Essas características mostram quão diferente era a fauna europeia na última fase da era dos dinossauros.” O cientista explica que a Romênia é a mais promissora região do continente para se encontrar fósseis daquele período porque, ao contrário do restante da Europa oriental atual, que estava submersa, o país era uma ilha, onde vivia boa parte dos dinossauros da época. Segundo ele, no município de Sebes, onde o Balaur foi escavado, há exemplares de outros saurópodes-anãos — alguns do tamanho de vacas e outros tão pequenos como uma galinha. Todos esses animais eram herbívoros, característica do saurópode.

Garras duplas
Diferentemente dos outros dinossauros da ilha, o novo fóssil encontrado era um terópode — classe dos grandes répteis carnívoros, na qual se destaca o temível Tiranossauro Rex. O esqueleto do animal foi parcialmente resgatado e inclui pernas, braços, pés, mãos, quadril, espinha dorsal e costelas, além dos ossos do rabo. Segundo Csiki, ele possui 20 características únicas, quando comparado a seus parentes mais próximos. Entre elas, um dedo descomunal munido de uma grande garra, que podia se estender, provavelmente para alcançar as presas. Como há uma segunda garra em outro dedo, a espécie é a única conhecida até agora a ter duplas garras em um só pé.

O dinossauro do tamanho de um peru também exibe características únicas em outras partes do pé, nas pernas e na pélvis. Suas patas e pernas eram pequenas e fortes, com ossos fundidos. A pélvis tinha um enorme músculo, indicando que a espécie era adaptada para correr. Finalmente, a mão era atrofiada, com alguns ossos fundidos, fazendo com que o Balaur tivesse dificuldades para agarrar os objetos. Essa característica, combinada às feições da perna e dos pés, indica que ele usava mais os membros inferiores do que os superiores para caçar.

“O Balaur é um novo tipo de dinossauro predador, muito diferente de qualquer coisa que já vimos”, contou Mark Norell na teleconferência de imprensa. “Comparado ao Velociraptor (parente do Balaur), esse animal provavelmente era muito mais um chutador do que um corredor. Talvez ele fosse capaz de capturar animais muito maiores do que ele mesmo, como muitos carnívoros fazem hoje em dia.” Mas, apesar de ter características tão peculiares, o novo dinossauro compartilha partes da anatomia com outros dinossauros carnívoros. “Isso indica que a fauna do arquipélago europeu tinha uma conexão com outras partes da Europa, da Ásia e da América do Norte, onde já foram descobertos grupos de dinossauros semelhantes”, diz Norell.

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