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Correio Braziliense

Relatório destaca o crescimento do país na produção científica do Brasil


postado em 11/11/2010 08:00

A ciência brasileira ganhou lugar de destaque na produção científica mundial. Pela primeira vez, um país da América do Sul teve um capítulo exclusivo no Relatório da Organização das Nações Unidos para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre Ciência 2010, divulgado ontem na França. O documento mostra como o Brasil evoluiu nos últimos anos em quantidade de pesquisas. Foram 26.482 artigos publicados, apenas em 2008, o que coloca o país na 13° posição no ranking dos maiores produtores de ciência no mundo. O investimento na área também foi alto — US$ 23 bilhões, mais do que o registrado em países como a Espanha e a Itália. Dois pontos, no entanto, não mostraram melhora: a falta de incentivos do setor privado e o baixo número de pedidos por patentes.

O relatório mundial, lançado a cada cinco anos, faz o diagnóstico da preocupação do mundo com o desenvolvimento da ciência, segundo Vicent Defourny, representante da Unesco no Brasil. “Antigamente, a evolução e o investimento estavam reservados a três grupos: Estados Unidos e Canadá, União Europeia e Japão. Agora, o cenário mundial mudou. Assim como acontece na economia, países emergentes, como China, Coreia do Sul, Índia e Brasil, começam a se destacar no meio científico”, diz.

Para o representante da Unesco, o Brasil ainda tem um papel pequeno no cenário de investimento, quando comparado a países como Estados Unidos, mas apresenta um caminho alternativo interessante. O investimento público é proporcionalmente maior do que em outros países. “Isso pode ser um diferencial. Em nações desenvolvidas, o investimento privado representa quase 80% do total, por aqui fica por volta de 40%. As empresas ainda não incorporaram a ciência como uma ferramenta de desenvolvimento”, afirma Defourny.
O bioquímico Hernan Chaimovich, um dos autores do relatório brasileiro, diretor executivo da Fundação Butantan e professor do Instituto de Química da USP,  concorda. Para continuar no caminho de crescimento científico, ele também acredita que a captação de novas fontes recursos é necessária. “Sem um aumento substancial de investimento em pesquisa e inovação por parte das empresas privadas, o crescimento do setor será sempre limitado”, explica.

Disparidades
Na América latina, o Brasil é o maior em número de publicações científicas e na formação de doutores. No início dos anos 1980, apenas 500 conseguiam o título por ano. Hoje, são mais de 10 mil. “Esses números são ótimos, mas estão em desaceleração no momento. Enquanto há dez anos tivemos um aumento de 10% nas estatísticas, agora não passa de 5%”, afirma Defourny. Entre os outros destaques do continente na ciência estão México e Argentina.

Os especialistas defendem a valorização da educação básica e a melhora na formação universitária de cientistas no Brasil. O desenvolvimento científico tende a se concentrar nas regiões central e sudeste do país, onde se localizam as principais universidades, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. Todas elas recentes, com apenas meio século de existência. “Precisamos diminuir as disparidades geográficas que mantêm extensas regiões do Brasil cientifica e tecnologicamente atrasadas e de um ensino fundamental de qualidade”, analisa Chaimovich.

O número de patentes está estagnado desde 2003. Enquanto na China foram feitos 1.665 registros em 2009, no Brasil foram apenas 103. Segundo os autores do relatório, o pouco investimento privado é um dos culpados. Os pesquisadores brasileiros ocupam principalmente cargos acadêmicos em tempo integral: 57% são servidores de universidades, e outros 6%, de institutos de pesquisa. Os 37% restantes estão no setor de negócios. “A pesquisa também precisa ser traduzida em patente para contribuir com o desenvolvimento. As políticas públicas do Brasil t”em um bom norte, mas a velocidade não é suficiente. É preciso mais foco para ter mais resultados”, conclui Defourny.

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