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Correio Braziliense

Descoberta pode ajudar a identificar modelo que inspirou Leonardo Da Vinci


postado em 18/12/2010 08:00 / atualizado em 18/12/2010 08:04

A obra ocupa um espaço exclusivo no Museu do Louvre, em Paris, na França, onde é visitada por mais de 8,5 milhões de pessoas por ano. É constantemente fotografada, escaneada e estudada por pesquisadores de todo o mundo. No entanto, toda essa exposição não impede que a Mona Lisa, pintada no século 16 por Leonardo Da Vinci, continue mantendo seus segredos. A forma física da modelo retratada e o nome original são dois dos mistérios que cercam o quadro renascentista. Esta semana, especialistas do Conselho Nacional de Valorização do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Itália anunciaram a descoberta de um novo detalhe na pintura: letras muito pequenas, imperceptíveis a olho nu, gravadas nas pálpebras de Mona Lisa. A novidade pode ajudar a resolver um dos maiores enigmas que cercam o quadro: a identidade da modelo que inspirou a obra-prima de Da Vinci. Os estudiosos encontraram até agora cinco conjuntos de letras nos olhos de Mona Lisa — ou La Gioconda como preferem os italianos. As consoantes “S”, “B” e “D” e as iniciais “CE” estão gravadas na pálpebra direita de Mona Lisa. No olho esquerdo, foi encontrada a inscrição “LV”, que possivelmente se refere às iniciais do autor da obra. Para os especialistas, essa nova informação pode derrubar a tese atual que afirma que Mona Lisa seria Lisa Gherardini, mulher de Francesco del Giocondo, um comerciante italiano. “A descoberta pode ajudar a enriquecer o conjunto de informações objetivas sobre a inspiração da Mona Lisa. Agora, estamos fazendo uma investigação histórico-biográfica para poder formular hipóteses mais consistentes sobre a verdadeira identidade da moça”, conta Silvano Vicenti, principal autor do estudo. Mas, por que nunca se havia percebido esses detalhes em uma das mais importantes obras de arte já criadas pelo homem? Segundo Vicenti, a resposta é simples: “Nunca havíamos procurado antes. Neste tipo de pesquisa, primeiro se formula uma hipótese, depois o pesquisador vai atrás da confirmação se ela é verdadeira ou não”, explica o italiano. “Simplesmente nunca ninguém tinha levantado essa questão”, comenta o pesquisador em entrevista ao Correio. Para conseguir notar esses pequenos detalhes, os pesquisadores contaram com uma boa pitada de sorte. Em uma análise minuciosa do quadro, em que buscava compreender melhor as cores e as pinceladas do gênio renascentista, um dos estudiosos verificou a existência das primeiras letras. Após análises mais aprofundadas, os italianos encontraram as demais. O envelhecimento do quadro foi um fator que dificultou a descoberta. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, Mona Lisa não foi pintada sobre uma tela. Para produzi-la, Da Vinci preferiu usar suas tintas sobre um quadro de madeira, que se deteriora com mais facilidade ao longo dos anos. Com isso, as minúsculas letras, gravadas com tinta preta em uma superfície marrom e verde, ficaram ainda mais ocultas. “Mona Lisa é a obra de arte mais estudada do mundo, mesmo assim um acidente foi essencial para esse achado”, afirma Vicenti. Mensagens secretas A professora de história da arte da Faculdade Dulcina de Morais Tatiana Fernandes explica que a presença de ícones e de mensagens secretas em obras de arte do renascentista é bastante comum. “Outros pintores, como Michelangelo e Rafael, também esconderam símbolos e mensagens secretas em suas produções”, conta a professora. “Por isso, não me admiraria que outras informações como essa ainda possam ser encontradas em outras obras de Leonardo”, opina. O costume da época surgiu de uma tradição da antiguidade, quando era comum deixar mensagens escritas em obras de arte. “A diferença é que no Renascimento essas mensagens se tornaram fechadas”, conta a professora. Isso significa dizer que os símbolos deixados na produção artística da época passaram a ser registrados de modo a só poderem ser interpretados por um grupo fechado de pessoas, como mensagens cifradas. “Assim, cada obra de arte acaba se tornando uma verdadeira charada para os pesquisadores atuais”, completa Tatiana. Responder a essa “charada” proposta por Da Vinci é o próximo passo dos pesquisadores. A partir de agora, novos estudos serão feitos em todo o quadro na tentativa de se encontrar outros símbolos escondidos por seu autor. “Eu acho que é possível a presença escondida de símbolos adicionais. Estamos dando continuidade a uma análise aprofundada com o auxílio de técnicas especiais para esse tipo de investigação”, conclui Silvano Vicenti. Resta saber quantos segredos a dona do sorriso mais enigmático do mundo da arte ainda esconde.

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