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Estado de Minas

Sinusite pode causar até a perda da visão. Até cirurgia pode ser indicada


postado em 22/02/2011 07:00 / atualizado em 22/02/2011 03:54

Victor e a mãe, Robertina, compartilham seguidas crises de sinusite: rotina de antialérgicos e corticoides(foto: Monique Renne/CB/D.A Press)
Victor e a mãe, Robertina, compartilham seguidas crises de sinusite: rotina de antialérgicos e corticoides (foto: Monique Renne/CB/D.A Press)
Mudanças bruscas de temperatura, excesso de poeira ou muita umidade. As variações climáticas típicas da região do Distrito Federal são extremamente favoráveis à sinusite — ou, como preferem os especialistas no assunto, rinossinusite. Quem sofre com o problema conhece os sintomas tradicionais: dor de cabeça, sensação de peso na face, obstrução ou corrimento nasal. Aqueles que nunca passaram por ele não imaginam o quanto essas manifestações, aparentemente inofensivas, abalam o dia a dia. Muito confundida com outras “ites” que afetam as vias aéreas superiores, a doença pode até provocar a perda da visão, quando não tratada. A sinusite não escolhe idade. Comum em adultos e crianças, a patologia pode se apresentar de forma aguda depois de um resfriado ou de uma crise de rinite. Esses problemas alteram a função de defesa do nariz, permitindo que os germes que penetram nos seios da face se acumulem. Diferentemente da rinite, a secreção produzida pela patologia é mais espessa e escura, o problema traz a sensação de peso na cabeça, especialmente na região da face, e, às vezes, febre. De acordo com o otorrinolaringologista Luciano Freitas, o médico deve fazer uma rinoscopia — avaliação do interior do nariz e da garganta — para confirmar a sinusite e a dimensão do quadro. O tempo de evolução também pode ser usado como um fator de diferenciação. Entrevista com o médico otorrinolaringologista Luciano Freitas, que fala sobre sinusite Quando a avaliação clínica não é suficiente para o diagnóstico, os médicos lançam mão da tomografia facial ou da endoscopia nasal. Os exames indicam o tratamento e podem ainda descartar ou apontar outras doenças que promovem sintomas semelhantes. Segundo o médico, os antibióticos são importantes para tratar a sinusite, por conta da infecção bacteriana característica, assim como os anti-inflamatórios e a medicação para a dor. “É comum o paciente chegar ao consultório dizendo ter sinusite quando tem apenas rinite ou vice-versa. As pessoas se automedicam e isso posterga um tratamento adequado. A avaliação médica é essencial”, alerta o médico, que atende no Hospital Anchieta. A rinite, uma inflamação leve da mucosa nasal, não provoca infecção. No entanto, se não cuidada, pode desencadear a sinusite. Em algumas situações, a doença se torna crônica e gera males mais graves. No cérebro As sinusites crônicas, cujos sintomas permanecem por mais de 12 semanas ou são recorrentes, podem causar ou ser causadas por alterações anatômicas do nariz. Desvios de septo, pequenos traumas, tumores, pólipos e outras obstruções que atrapalham a passagem de ar são os mais comuns. O tratamento é clínico quando é possível remediar os fatores predisponentes, como as alergias, por exemplo, ou cirúrgico. “Se o paciente não responde à terapia medicamentosa e se a alteração anatômica é desencadeadora da sinusite, indicamos a intervenção, para que a pessoa volte a ter qualidade de vida”, detalha Jaime Siqueira, especialista do Centro de Otorrinolaringologia. O médico acrescenta que a tosse e o sangramento do nariz também sinalizam a sinusite. Rouquidão e tontura são indícios menos óbvios. Complicações da doença podem ainda afetar o globo ocular ou o cérebro. “O tratamento é indispensável. Quando a sinusite se espalha para o cérebro, pode até causar abscesso cerebral ou meningite. A inflamação do globo chega a provocar a perda da visão”, observa. A servidora pública Keilliany de Assis Macedo, 27 anos, tomou analgésicos por um bom tempo antes de ser diagnosticada. A primeira crise ocorreu há 10 anos e veio acompanhada da tradicional dor de cabeça. Como a cefaleia não cedia, ela resolveu procurar um médico. “Fui medicada, mas as crises, relativamente suportáveis, me atormentavam periodicamente, principalmente quando o tempo esfriava”, conta. Em 2007, porém, um episódio da doença deixou a moça de cama por dois dias. “Minha cabeça parecia que ia explodir.” Além da rinite alérgica, exames detectaram um desvio de septo em Keilliany. A cirurgia foi indicada para contornar os dois problemas. O procedimento corrigiu o septo e a livrou da sinusite. “Foi um alívio”, comemora. Fator hereditário O adolescente Victor Torres, 15 anos, se diz muito familiarizado com as limitações que a sinusite impõe em sua vida. As mudanças de temperatura e os eventuais resfriados são os fatores que mais desencadeiam as crises. O mal vem de família. A mãe sofre com o problema desde que desembarcou em Brasília há 17 anos. “Sou de Alagoas e só vim conhecer a sinusite aqui na capital. Semana passada, ela atacou mais uma vez. Fiquei três dias sem conseguir trabalhar”, revela a representante comercial Robertina Gonçalves. A dor de cabeça e a indisposição são sintomas comuns nas crises de ambos. Victor conta que não consegue dormir e que a rotina escolar fica completamente comprometida. “Fico tão cansado que perco a concentração. A cabeça dói tanto que não encontro posição que traga alívio”, detalha. Mãe e filho tomam antialérgicos e corticoides nasais rotineiramente, para evitar as crises. Eles admitem que é possível preveni-las com esses medicamentos. “O problema é que estávamos de férias em Maceió e não tomamos os remédios. Chegamos em Brasília e pegamos um resfriado. A sinusite veio com tudo”, justifica. Há dois anos, os médicos do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, realizam um procedimento ainda menos invasivo do que a cirurgia tradicional, que já é feita por videoendoscopia. Conhecido como sinuplastia com balão, o método criado nos Estados Unidos é bem parecido com as intervenções que desobstroem as artérias do coração. O otorrinlaringologista Leonardo Balsalobre Filho esclarece que ambas as técnicas “limpam” as cavidades nasais, retirando as secreções contaminadas por agentes infecciosos que causam a sinusite. “Pela cirurgia tradicional, há a retirada dos tecidos e cartilagens que bloqueiam os seios nasais. Com essa nova técnica, inflamos um balão por alguns segundos e promovemos a desobstrução com menos traumas e sagramentos”, resume. Depois da dilatação, um cateter de lavagem faz uma higienização nas cavidades. Nem todos os pacientes têm indicação para a nova técnica. “Infelizmente, aqueles com pólipos e tumores ou os que já passaram pelo procedimento tradicional não podem ser beneficiados por ela”, adianta o médico.

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