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Estado de Minas

As otites, rotineiras, carregam sérios riscos, e podem evoluir até a surdez


postado em 11/03/2011 07:00

Primeiro, um pequeno incômodo na parte externa do ouvido. Depois, a sensação de ter algo pressionando o tímpano. Com mais algumas horas, uma dor constante, pulsante e difícil de tolerar. Assim surge a chamada otite, a popular dor de ouvido, que acompanha sintomas como febre, indisposição e forte incômodo e pode afetar tanto adultos quanto crianças.

Quem já teve o problema sabe que ele costuma chegar de maneira tímida, instalar-se no canal auditivo e dar origem a um sofrimento considerado “ insuportável” até mesmo pelos especialistas. “Uma vez instalada, a otite pode ser muito dolorosa e evoluir de forma grave”, afirma o otorrinolaringologista Marcelo Miguel Hueb, da Sociedade Brasileira de Otologia. Por isso, quando a dor chega, é fundamental procurar um médico para que os sintomas sejam amenizados e o problema não deixe sequelas.

Foi o que fez a estudante do segundo ano do ensino médio Bruna Paiva, 15 anos. Ela conta que depois de várias horas na piscina passou a sentir “ pontadas enjoadas” no ouvido. Quando a dor tomou proporções maiores, procurou um médico. “Passei muito tempo na piscina e depois de um tempo comecei a sentir dor no ouvido e muito frio. Vi que estava com febre e fui ao médico”, recorda-se a estudante. “Ele receitou alguns remédios que não fizeram efeito imediatamente e isso foi muito ruim. Chorei muito de dor.”

O otorrinolaringologista deu o diagnóstico: Bruna teve a chamada otite externa. Segundo ele, o problema é decorrente do contato excessivo com água e pode ser evitado com um pouco de cuidado. “Quando o ambiente está úmido e quente, o contato constante com a água pode modificar o revestimento do canal auditivo externo e retirar a proteção do local. Com o derretimento do cerume causado pela união de água e calor, o canal auditivo fica propício a desenvolver esse tipo de inflamação”, explica Hueb. “Por isso, é importante ter o hábito de, ao sair da piscina, do mar ou até mesmo do banho, revestir o dedo com um pano limpo para secar a secreção, que geralmente escorre por conta do excesso de calor.”

Além da otite externa, há também a chamada otite média, um pouco mais delicada por se tratar de inflamação em uma parte mais profunda do ouvido. Para entender melhor o problema, é preciso voltar às aulas de biologia. O ouvido é dividido em três partes: externo, médio e interno (veja infografia). Enquanto a otite externa acomete a parte da orelha até a membrana timpânica — película que divide o ouvido externo do médio —, a otite média se dá após essa película e, geralmente, é decorrente de resfriados, gripes e infecções na garganta.

“Como há ligação entre o canal auditivo e a garganta, as bactérias e os vírus causadores desses problemas de saúde acabam migrando para esse canal, que, por sua vez, fica inflamado. Por isso, a otite média é potencialmente complicada e deve ser melhor acompanhada e diagnosticada para evitar sequelas como meningite ou até perda da audição”, explica a otorrinolaringologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB) Alessandra Ramos.

O servidor público Felipe Barbosa, 26 anos, sabe bem como é sofrer tais consequências. Por conta de uma otite média mal-acompanhada, hoje tem 30% da audição comprometida. “Eu tive um resfriado muito forte e comecei a sentir dor de ouvido, mas não fui logo ao médico porque estava sem tempo”, diz ele. A demora para procurar um especialista fez com que Felipe tivesse o tímpano rompido, a ponto de prejudicar sua capacidade auditiva de maneira irreversível. “Eu deveria ter ido ao médico, mas achei que fosse besteira. Lembro que depois meu ouvido doía muito e qualquer barulho mais alto me incomodava. Até hoje tenho muita sensibilidade”, revela o servidor público.



Nunca automedicar-se

Por sorte, a estudante de publicidade Vanessa Marques, 22 anos, não teve o mesmo destino que Felipe. Também sofreu perda da audição por descuido, mas conseguiu reverter o problema. Ela conta que tudo começou com uma dor “absurda”. Vanessa automedicou-se e foi dormir. No dia seguinte, acordou com um “zumbido de avião” no ouvido. “ Parecia que eu estava do lado da turbina. Era horrível.” Após ir ao médico, ela foi informada de que seu tímpano havia estourado e, por conta disso, sentiria a tal pressão por algumas semanas. Três meses depois, Vanessa já conseguia ouvir melhor. “Tive sorte”, reconhece.

Segundo a otorrinolaringologista Alessandra Ramos, do Hospital Universitário de Brasília (HUB), fazer como Vanessa, que se automedicou, em vez de procurar um médico, é muito comum, porém, perigoso. “A maioria das pessoas, quando sente alguma dor no ouvido, logo pinga um remédio e acha que vai ficar tudo bem. Isso não pode ser feito sem autorização médica. Em momento algum deve-se pingar qualquer coisa, nem mesmo água, álcool ou qualquer outro líquido”, adverte a especialista. Ela ressalta que é necessário avaliar cada caso para então diagnosticar o problema. “Cada ser humano é único. Por isso, é preciso averiguar o quadro da pessoa para então receitar os medicamentos.”

Alessandra conta ainda que para o tratamento das otites são usados antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios e alerta: otites podem ser evitadas com simples cuidados diários com o ouvido. A médica parte de uma recomendação simples: nunca limpar os ouvidos ou introduzir neles qualquer objeto. O ouvido tem um mecanismo natural para expulsar a secreção que excede o canal auditivo.Com isso, explica, deve-se limpar com um pano apenas a região externa do ouvido. Caso contrário, essa secreção acaba empurrada de volta ao canal auditivo e acumulada no ouvido, o que prejudica a audição e inflama o local. Outra possibilidade é que a secreção seja toda retirada, fazendo com que o ouvido perca essa importante proteção contra a entrada de fungos e bactérias.

Cuidados básicos
Conheça algumas dicas para cuidar da sua saúde auditiva:

»
Seque bem os ouvidos após nadar, mergulhar ou tomar banho. Use apenas uma toalha de papel ou mesmo papel higiênico na ponta do dedo indicador.

» Evite nadar e mergulhar em águas poluídas.

» Nunca introduza cotonetes, grampos ou outros objetos no canal externo do ouvido.

» Nadadores com otite externa recorrente não devem se esquecer dos protetores auriculares e de secar bem os ouvidos após o contato com a água.

»
Nunca pingue nada no ouvido além dos remédios recomendados pelo seu médico.

»
Procure sempre um médico otorrinolaringologista quando tiver dor de ouvido. Outras doenças podem estar associadas a essa dor ou mesmo à otite externa — e somente o médico poderá orientá-lo adequadamente.

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