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Estado de Minas

Três perguntas para o escritor Richard Hollingham


postado em 12/06/2011 08:00

De todas as cirurgias que o senhor descreveu, qual delas achou mais assustadora?
Há algumas operações muito aterrorizantes em todas as eras da cirurgia, mas aquela que me faz tremer a cada vez que penso sobre isso é a lobotomia transorbitária. Desenvolvida por Walter Freeman — que não era mesmo um cirurgião qualificado —, consistia em levar o paciente à inconsciência com choques elétricos por toda a cabeça e, em seguida, martelar a parte superior das órbitas oculares, através do osso fino transorbital, com picadores de gelo. Ela transformou a personalidade de centenas de pessoas e era um procedimento inseguro, não regulamentado e inaceitável. Uma testemunha a descreveu como “diabólica”. O pior é que as pessoas acreditavam que Freeman as tornaria melhores.

A cirurgia era uma opção ou os médicos forçavam os pacientes?
Digamos que você estivesse vivo em 1840 e caísse de seu cavalo, sofrendo uma fratura exposta da perna. Embora os médicos fossem tentar colocá-lo no lugar, em poucos dias, o mais provável era estar infectado, com uma gangrena espalhada. Você tinha duas opções: a primeira seria apodrecer, até que seu sangue ficasse envenenado e você morresse. A segunda, se você pudesse pagar por isso — seria ir a um cirurgião decente e ter sua perna amputada. Não haveria nenhum anestésico, o cirurgião poderia até não lavar as mãos. A dor seria algo além da nossa compreensão, mas você poderia viver. Essa era a escolha. Agradeça, então, por viver hoje, e não naquela época.

Mesmo com os avanços da medicina, depois de escrever o livro o senhor se sentiria confortável para enfrentar uma cirurgia?
 Curiosamente, eu fiz uma operação no joelho pouco antes do (último) Natal. Eu realmente não gosto de hospitais, ficar perto deles me deixa muito ansioso, apesar de minha mãe ser uma enfermeira. Sabendo o que sei sobre a cirurgia, certamente a tensão aumenta. A operação no joelho envolveu duas perfurações de cada lado da rótula e a inserção de um artroscópio — cabo flexível feito de fibras ópticas para permitir a entrada de uma câmera e de uma pequena ferramenta de corte. Saí do hospital na mesma tarde. A operação me deixou com duas pequenas cicatrizes e um joelho em pleno funcionamento. Compare isso à primeira operação com anestesia realizada por Robert Liston (um homem com problema no joelho precisou ter a perna amputada). Foi um problema muito semelhante, só que o paciente foi internado por quase dois meses e teve sua perna serrada. Ela me deu uma boa noção de quão longe a cirurgia evoluiu. (PO)

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