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Estado de Minas

Tesouro bizantino é descoberto por acaso


postado em 22/06/2011 08:48

Se não fosse uma boa dose de sorte, talvez um edifício público do Período Bizantino, encontrado na cidade de Acre, ao norte de Israel, ainda permanecesse soterrado. A construção foi achada recentemente por acaso, quando um grupo de empresários se preparava para construir um estacionamento no local próximo a um shopping center. Segundo a Autoridade de Antiguidades de Israel, órgão responsável por zelar pela estrutura, 40m² da construção já foram revelados. “E sabemos que há muito mais escondido”, informa a chefe das escavações, Nurit Feig.

O edifício monumental tem 1.500 anos e parece ter sido uma igreja, mas Nurit é cautelosa: “Ainda não podemos afirmar nada disso”. Mesmo assim, a pesquisadora está empolgada com a rara construção na cidade. Apesar de não ser difícil encontrar objetos e construções bizantinas em Israel, em Acre é a primeira vez que um edifício público do período é localizado. “Até então só tínhamos localizado um alojamento à beira do Mar Mediterrâneo. Um edifício público é muito mais importante para entendermos a dinâmica social da época”, explica a arqueóloga.

O tesouro milenar inclui ainda vasos em cerâmica, moedas, canos de argila e um mosaico que adornava com requinte o chão de um dos cômodos. Telhas, detalhes em mármore, cacos de azulejos coloridos e alguns anéis também foram encontrados. “No pátio da construção, encontramos um sistema de drenagem que levava água do poço até o edifício”, revela Nurit. Alguns metros abaixo da construção bizantina, os arqueólogos escavaram objetos mais antigos, que datam do Período Helenístico, como vasos e ânforas com nomes de líderes gregos da Ilha de Rodes.

A Autoridade de Antiguidades vetou a visitação pública ao sítio e cobriu com areia fina e tecido especial todo o material encontrado. Segundo Israel Ben Ezra, assessor da Prefeitura de Acre, o estacionamento do shopping continuará sendo construído, mas com supervisão dos cientistas.

Cristianismo
Próxima à fronteira com o Líbano e com cinco milênios de existência, Acre fica em uma das regiões mais antigas a estar continuamente habitada. De acordo com Nurit Feig, a cidade era muito grande na antiguidade e abrigou bispos conhecidos nas escrituras cristãs, como Aeneas — participante do Primeiro Concílio de Nicaea (encontro da Igreja Cristã convocado para definir a natureza de Jesus Cristo), em 325 d.C. — e Nketabuas, que integrou o segundo concílio ecumênico, chamado Primeiro Concílio de Constantinopla, em 381 d.C. “Essa construção é a primeira prova concreta da importância de Acre na disseminação do cristianismo”, revela Nurit. A pesquisadora acredita que “o edifício, provavelmente, foi usado por esses bispos”.

Desde 2008, Acre é Patrimônio da Humanidade pela Unesco e tem uma população de cerca de 46 mil habitantes, entre árabes e judeus. Atualmente, graças a seus sítios arqueológicos, é um dos mais importantes polos de turismo histórico de Israel. “A cidade toda é um grande sítio arqueológico”, revela Nurit.

Depois dos romanos
Batizado em homenagem a Bizâncio, primeiro nome da antiga capital Constantinopla, hoje Instambul, o Império Bizantino sucedeu o Império Romano de 324 d.C. a 451 d.C. como o reinado dominante em todo o Mar Mediterrâneo. Foi fundamental para a disseminação do cristianismo. Depois desse período, Acre foi dominada por vários povos, entre eles os cavaleiros cruzados da Europa e os árabes muçulmanos, no século 17, que destruíram muitos templos cristãos ao conquistar a região.

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