Publicidade

Estado de Minas

Estados Unidos desenvolvem projeto de viagens para fora da galáxia


postado em 23/08/2011 11:52 / atualizado em 24/08/2011 09:34

Em junho deste ano, os EUA aposentaram definitivamente seu último ônibus espacial, perdendo — pelo menos, por enquanto — a capacidade de enviar seres humanos ao cosmos. Apesar da incapacidade temporária, está longe dos planos norte-americanos abandonar definitivamente as viagens espaciais de longa distância. Um projeto da Defense Advanced Research Projects Agency (Darpa), uma agência militar dos Estados Unidos, promete desenvolver, em até 100 anos, uma tecnologia digna da série de filmes Jornada nas Estrelas: levar seres humanos para fora da galáxia. Por enquanto, é apenas um projeto a longo prazo, mas os norte-americanos garantem que, daqui a um século, as fronteiras da humanidade terão se expandido — e muito.

Batizado de 100 Years Starship (Nave espacial de 100 anos, em tradução livre), o projeto dará US$ 300 mil para qualquer cidadão — cientista ou não — que apresente uma alternativa que possa ser desenvolvida e torne viável a longa jornada, pois, atualmente, a galáxia mais próxima da Terra está a 25 mil anos-luz do planeta. Para visitar a Canis Major, seriam necessários 70 mil anos, utilizando a Voyager, a mais rápida nave já criada.

Audiências públicas estão sendo feitas nos Estados Unidos para que os cidadãos se manifestem sobre o projeto e criem alternativas para botar o plano em prática. Entre as sugestões já apresentadas, está congelar os astronautas ou transportar embriões, que “nasceriam” no meio da viagem. O cientista Craig Venter, um dos responsáveis pelo projeto Genoma, que mapeou o DNA humano, sugeriu uma solução bem menos emocionante para aqueles que sonham em serem exploradores espaciais: enviar DNA humano fragmentado para remontagem em outro planeta.

Outro problema que precisará ser resolvido é o financeiro. Os recentes cortes no orçamento espacial dos EUA — em função da crise econômica — obrigaram a Nasa a cancelar o programa Constelation, que pretendia voltar à Lua e levar pessoas a Marte. Além disso, até que os “veículos multifunção tripulados”, a próxima geração de nave da Nasa, fiquem prontos, em 2017, os norte-americanos nem sequer terão capacidade de chegar à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), da qual são os principais acionistas, sem uma “carona” nas cápsulas Soyuz, da Rússia.

Por todas essas razões, o astrofísico e professor do Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB) José Leonardo acredita que, pelo menos por enquanto, imaginar uma viagem intergalática é mera especulação. “Muita gente pode pensar que, como há 50 anos não tínhamos nem sequer a capacidade de ir ao espaço, e hoje isso já é relativamente comum, as viagens intergaláticas poderão ser realidade daqui a 100 anos”, afirma o pesquisador. “A evolução da exploração espacial, no entanto, não é linear. Em meio século, aprendemos a ir ao espaço, mas outras questões que se imaginava ser possível hoje, como ir a Marte ou ter uma colônia na Lua, estão longe de ser realidade”, completa.

Mais perto

Enquanto as viagens intergaláticas permanecem apenas nos sonhos de alguns, a Nasa dá prosseguimento a uma bilionária missão, ainda que bem menos ambiciosa: entender o maior planeta do nosso sistema solar, Júpiter. A sonda Juno, que partiu na semana passada da base de Cabo Canaveral, na Flórida, chegará ao imenso planeta gasoso apenas em 2016, onde colherá informações sobre a composição do quinto planeta do sistema solar. “Os objetivos de Juno para a ciência são estudar a origem, o interior, a atmosfera e a magnetosfera de Júpiter”, explicou, em entrevista ao Correio, o cientista Steve Levin, do Laboratório de Jatopropulsão da Nasa.

A atenção dos cientistas se voltou para o “grande planeta” porque parte da poeira cósmica liberada durante a formação do sistema solar foi absorvida por ele. Assim, entender como ele se estrutura é uma forma de voltar no tempo e compreender melhor como a própria Terra foi formada. “Ao utilizar instrumentos para medir a emissão de ondas de rádio naturais de Júpiter, determinaremos o quanto de água o planeta gigante contém, uma peça-chave para verificar as várias teorias de como Júpiter se formou”, explica Levin.

Júpiter é, de longe, o maior planeta do sistema solar, com mais de duas vezes a massa de todos os outros planetas juntos, o equivalente a 1,3 mil Terras. “Por ser tão grande, a sua composição deve ser quase inalterada desde que se formou, há 4,5 bilhões de anos. De uma forma muito básica, a compreensão de Júpiter é essencial para a compreensão do sistema solar”, conta o norte-americano. “Além disso, por ser tão grande, ele é responsável, com Saturno, pela manutenção do equilíbrio gravitacional entre os planetas, dos cometas e do cinturão de asteroides”, conta o professor José Leonardo.

E eu com isso?


Uma nova casa

Por mais que a realidade das viagens interestelares pareçam coisa de filme de ficção, expandir os limites de onde o homem pode chegar é uma estratégia importante para a própria sobrevivência da espécie humana. Como qualquer estrela, o Sol deve se extinguir — parar de emitir radiação —, eliminando qualquer possibilidade de vida nesse sistema solar. Como isso só deve acontecer há daqui aproximadamente 4 bilhões de anos, ainda há tempo para se preparar, e encontrar uma “nova casa” para a humanidade. Além disso, a população mundial cresce em ritmo acelerado, desde o início do século 18. Em outubro, os habitantes da Terra devem chegar a 8 bilhões de pessoas. Encontrar outras fontes de energia, de alimentos e de recursos naturais para manter um número cada vez maior de pessoas é um desafio, cuja resposta pode estar em planetas distantes.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade