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Estado de Minas

Células-tronco para salvar espécies em extinção


postado em 06/09/2011 09:56

Cientistas americanos informaram ter produzido as primeiras células-tronco de espécies ameaçadas, um avanço que pode salvar dezenas de animais à beira da extinção. “A melhor forma de lidar com a extinção é preservar espécies e hábitats, mas nem sempre isso funciona”, explicou, em um comunicado, Oliver Ryder, diretor de genética do Zoológico de San Diego e um dos chefes da pesquisa. “A tecnologia de células-tronco dá algum nível de esperança de que (as espécies) não precisarão se extinguir, mesmo que tenham sido completamente eliminadas de seu hábitat”, acrescentou.

Esse é o caso do rinoceronte-branco-do-norte, um dos dois primeiros animais incluídos no “zoo de células-tronco” de Ryder. A espécie conta com apenas sete espécimes vivos, todos mantidos em cativeiro, dois deles em San Diego. Os cientistas também isolaram células-tronco de um primata criticamente ameaçado, denominado dril, considerado geneticamente um primo próximo dos humanos.

A equipe de Ryder coletou células da pele e outras amostras de tecido de mais de 800 espécies — armazenadas em um “zoo congelado” — em 2006. Foi quando ele fez contato com Jeanne Loring, professora do Instituto de Pesquisas Scripps, em La Jolla, perto de San Diego, para que ela o ajudasse a gerar e armazenar células-tronco.

Na época, cientistas que buscavam usar células-tronco para tratar doenças humanas ainda não tinham descoberto uma técnica confiável para transformar células adultas normais em células-tronco que pudessem dar origem a quase todos os tipos de tecidos e células do corpo. Hoje, no entanto, esse processo, chamado pluripotência induzida, é frequentemente alcançado ao se inserir certos genes em células normais.

A princípio, Ryder e Loring tentaram usar genes de animais com parentesco próximo às espécies-alvo, de forma a provocar a transformação, mas os experimentos fracassaram. Por tentativa e erro, no entanto, eles descobriram, com surpresa, que os mesmos genes que induzem a pluripotência em humanos também funcionavam no dril e no rinoceronte.

Segundo o estudo, publicado na última edição da revista Nature Methods, o processo revelou-se ineficaz, uma vez que gerou apenas poucas células-tronco por vez, mas foi suficiente para dar início ao “zoo de células-tronco”. Talvez o maior potencial em ajudar espécies ameaçadas, além do tratamento de doenças, sejam novas estratégias reprodutivas. Se células-tronco adultas puderem dar origem a espermatozoides ou óvulos, por exemplo, os cientistas poderão usar células da pele congeladas de animais mortos para produzir gametas masculino e feminino e dar origem a uma nova vida.

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