As descobertas foram publicadas na edição on-line da revista conservacionista Oryx, editada pela Universidade de Cambrigde. Usando imagens de satélite de alta resolução, a equipe de biólogos, liderada por Richard A. Bergl, pesquisador do Zoológico da Carolina do Norte, mapeou a distribuição de florestas e outros tipos de cobertura vegetal na região do Rio Cross, o principal do sudeste nigeriano. Para confirmar os dados, os cientistas fizeram uma expedição in loco, investigando 400 regiões fotografadas pelos satélites ; o sistema mostrou-se bastante preciso: a classificação de cobertura vegetal ultrapassou 90% de acertos.
Em seguida, a equipe cruzou esses dados com informações ambientais e conseguiu determinar a extensão do hábitat dos gorilas do Rio Cross. Cada área da região foi analisada pelos pesquisadores, que classificaram se eram muito, médio ou pouco apropriadas à vida dos gorilas. Eles levaram em consideração informações como proximidade de agrupamentos humanos, geografia e clima.
Com o mapeamento adequado para guiá-los, os cientistas selecionaram 12 locais que reuniam todas as peculiaridades necessárias para abrigar os gorilas do Rio Cross. Na maioria delas, nunca houve registro da presença desses primatas, mas, para a satisfação da equipe, foram encontrados rastros do animal, como esterco e resquícios de acampamentos, em 10 das 12 áreas investigadas. ;Conseguimos confirmar o valor do uso de satélites para calcular hábitats adequados e, assim, priorizar as áreas em que são necessárias pesquisas adicionais;, observou Richard A. Bergl. ;O resultado do estudo representa uma expansão significativa do hábitat dos gorilas do Rio Cross: a área que pode ser ocupada por eles é 50% maior do que pensávamos. Esse estudo é um grande exemplo de como a pesquisa científica pode ser aplicada diretamente para a conservação de grandes primatas;, completou.
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