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Estado de Minas

Austrália quer proibir fertilização do mar com sulfato de ferro

A técnica tem como objetivo combater a acidificação do oceano derramando sulfato de ferro para "fertilizar" o fitoplâncton, microalga marinha que absorve o dióxido de carbono (CO2) na água e na atmosfera


postado em 16/05/2013 10:33

Sydney - A Austrália quer proibir a fertilização do oceano com sulfato de ferro, um método controverso para combater as mudanças climáticas, anunciou nesta quinta-feira o governo australiano. Esta técnica tem como objetivo combater a acidificação do oceano derramando sulfato de ferro para "fertilizar" o fitoplâncton, uma microalga marinha que absorve o dióxido de carbono (CO2) na água e na atmosfera.

Após uma vida muito curta, os restos de fitoplâncton são depositados sobre o fundo do mar sob a forma de sedimentos. Mas a eficácia do método e seus efeitos no ambiente são desconhecidos, de modo que a Austrália quer proibir a sua utilização no protocolo de Londres, que em 1996 alterou e substituiu a Convenção de Londres de 1972.

Austrália, Nigéria e Coreia do Sul querem apresentar uma emenda para proibir a fertilização comercial sem justificativa científica em uma reunião dos signatários do protocolo, prevista para outubro. "A emenda pretende estabelecer regras vinculativas para a fertilização do oceano", explicou o ministro do Meio Ambiente australiano, Tony Burke.

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"Proibir as atividades comerciais da fertilização oceânica e autorizar as investigações científicas legítimas visando identificar os possíveis benefícios" desta prática, acrescentou. Em 2012, os signatários do protocolo lamentaram o uso desta técnica na costa do Pacífico do Canadá por uma empresa que queria reconstruir a população de salmão, que se alimenta com fitoplâncton.

A revista Nature revelou em 2007 as conclusões de um grande programa nas Ilhas Kerguelen, no sul do Oceano Índico, segundo o qual derramar ferro no oceano seria entre 10 e 100 vezes menos eficaz do que o processo natural, porque 90% do ferro se perderia e seu efeito de curta duração.

Alguns cientistas temem ainda uma possível reação química resultando em óxido nitroso (N2O), mais devastador do que o CO2. O ministro do Meio Ambiente também citou a proliferação de algas tóxicas e a eutrofização do leito como riscos potenciais.

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