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Estado de Minas

Estudo mostra que golfinhos têm a maior memória social observada em animais

Eles são capazes de reconhecer um semelhante mesmo depois de 20 anos de separação


postado em 07/08/2013 01:01 / atualizado em 08/08/2013 12:29

Paris - Os golfinhos são capazes de reconhecer um semelhante mesmo depois de 20 anos de separação, demonstrou um estudo que será publicado esta quarta-feira e atribui a estes mamíferos marinho a mais longa memória social já registrada em animais.

Os elefantes têm a fama de nunca esquecer um dos seus, mas ela se baseia unicamente em "indícios anedóticos", destacou o autor do estudo, Jason Bruck, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

Seu trabalho se apoia no reconhecimento de longo prazo entre os golfinhos de sua assinatura pessoal, um assobio característico que faz as vezes de nome e que torna cada indivíduo imediatamente identificável por seus semelhantes.

Tipo de reconhecimento pode, inclusive, ser mais duradouro entre os golfinhos do que entre os humanos(foto: Isabel Fleck/CB/D.A Press)
Tipo de reconhecimento pode, inclusive, ser mais duradouro entre os golfinhos do que entre os humanos (foto: Isabel Fleck/CB/D.A Press)
O biólogo procurou saber se um golfinho é capaz de guardar na memória a assinatura de um semelhante do qual ele se separou por muito tempo.

Seu estudo se baseou em 43 golfinhos alojados em 6 jardins zoológicos ou parques aquáticos diferentes, entre os quais o zoológico de Brookfield, perto de Chicago. Estas seis instituições locais têm como particularidade o intercâmbio de animais entre si, armazenando o histórico de cada um.


A experiência que se seguiu consistiu em fazer os golfinhos ouvirem gravações dos assobios de seus semelhantes. O resultado demonstrou que os animais reagiram durante mais tempo quando ouviram assobios familiares, ou seja, aqueles dos golfinhos com os quais tiveram contato, mesmo que anos atrás.

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"Quando ouviram um golfinho ao qual conheciam, com frequência se aproximaram rapidamente do alto-falante", explicou Jason Bruck. "Às vezes eles se voltavam ao redor e silvavam, tentando obter uma resposta", acrescentou.

O cientista citou o caso de Allie e Bailey, que tinham respectivamente 2 e 4 anos quando viviam juntas no Dolphin Connection, no arquipélago de Keys, na Flórida. Allie vive atualmente no zoológico de Brookfield e Bailey, no Dolphin Quest, nas Bermudas. Vinte anos e seis meses depois do último contato entre as duas, Bailey conseguiu reconhecer na gravação o assobio de Allie.

Segundo o autor do estudo, cujos resultados são publicados na revista Proceedings B da Royal Society britânica, os golfinhos demonstraram um nível de reconhecimento "muito comparável à memória social do homem".

Este tipo de reconhecimento pode, inclusive, ser mais duradouro entre os golfinhos do que entre os humanos, acrescentou, porque o assobio do golfinho permanece estável por várias décadas, enquanto o rosto humano muda com o passar do tempo.

Não se sabe, entretanto, porque os golfinhos têm uma memória social tão longa, já que na natureza, estes animais têm uma expectativa de vida média de 20 anos, embora certos indivíduos vivam até os 45.

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