Paloma Oliveto
postado em 20/11/2013 07:24
Primeiro, vem a euforia. A autoestima, então, se eleva, acompanhando a sensação de prazer intenso. Para completar, a sociabilidade vai às alturas: a pessoa torna-se falante, desembaraçada, cheia de energia para compartilhar com o grupo. Mas tudo isso tem prazo de validade. Passado o período de euforia ou de intoxicação, o lado sombrio da cocaína se apodera da mente e do corpo. Usuários descrevem o momento como um turbilhão de emoções negativas: ansiedade, paranoia, ataque de pânico, nervosismo, cansaço extremo, irritabilidade e medo. Os efeitos ruins só passam com a próxima dose e, cada vez mais, são necessários intervalos menores e quantidades maiores para satisfazer o usuário.O ciclo do vício tem sido explicado, tradicionalmente, como uma busca pelas sensações positivas desencadeadas pela cocaína logo após o consumo. Essa percepção norteia as pesquisas que visam aprimorar os tratamentos para a dependência química. Depois de mais de uma década estudando o comportamento fisiológico do vício, contudo, o psiquiatra Mark West, professor da Universidade de Rutgers, em Nova Jersey, oferece outra explicação. Em um artigo publicado na revista Psychopharmacology, ele defende que, antes de buscar na droga a explosão de alegria, os usuários recorrentes voltam à cocaína porque querem combater as sensações desagradáveis que seguem o período de intoxicação.
;Nós sabemos que, assim como outras drogas, a cocaína age em circuitos cerebrais associados à recompensa. A ativação dessas redes é responsável pela experiência prazerosa desencadeada pelo entorpecente;, explica West. De acordo com ele, a busca por fármacos capazes de enfrentar a dependência, seja em cocaína, seja em tabaco, leva em consideração o bloqueio desses circuitos. Sem desencadear os efeitos estimulantes, a droga perderia a graça. West concorda com a abordagem, mas acredita que os cientistas também precisam desenvolver estratégias que lidem com os sintomas ruins que surgem depois da fase de intoxicação. ;Os dependentes químicos podem acabar num ciclo em que buscam cada vez mais a droga, não porque querem passar de novo pela euforia característica, mas por tentarem evitar desesperadamente a fase de baixos emocionais;, defende.
Na pesquisa da Universidade de Rutgers, o cientista e colegas analisaram as vocalizações ultrassônicas de ratos expostos à cocaína. Os roedores emitem sons imperceptíveis aos ouvidos humanos, mas que podem ser medidos por equipamentos especiais. Dependendo da faixa de frequência, é possível saber o estado emocional do animal, se positivo ou negativo. Além de capturar as vocalizações das cobaias, os pesquisadores fizeram testes de sangue para avaliar a quantidade de droga consumida por eles.
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