Jornal Correio Braziliense

Ciência e Saúde

Estudos indicam as particularidades na capacidade de sentir os cheiros

Além de as sensações geradas pelos odores terem uma influência genética, a diferença na recepção dos estímulos pode chegar a 30% entre duas pessoas

Alguns perfumes são adorados por certas pessoas, enquanto outras literalmente torcem o nariz para a fragrância. Dependendo de cada um, o mesmo aroma pode ser indiferente, agradável ou nauseante. Essa diversidade na sensibilidade olfativa se deve ao fato de que os seres humanos têm cerca de 400 tipos de sensores especializados na detecção de cheiros, que se combinam de formas diversas para captá-los e, depois, traduzi-los. De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature Communications, a identificação com um aroma é mais pessoal do que se imaginava. Os cientistas do Centro Monell de Sensações Químicas, um instituto americano que investiga a biologia dos sentidos humanos, descobriram que, entre duas pessoas, a diferença na configuração dos receptores olfativos chega a ser 30%.

“Nós constatamos que cada indivíduo tem um conjunto extremamente personalizado de receptores olfativos que afetam sua percepção do odor”, conta o biólogo molecular Joel Mainlaind, principal autor do estudo. O mercado de perfumes e fragrâncias — importantes não só para a cosmética, mas na confecção de produtos de limpeza, gastronômicos e até farmacêuticos — está em expansão, com previsão de movimentar US$ 45,6 bilhões em todo o mundo em 2018. De acordo com Mainlaind, para se sobressair nesse setor, é preciso inovação. “Cada vez mais, temos de entender o que faz, do ponto de vista molecular, uma fragrância ser percebida como boa. Ao compreender como essas moléculas se combinam e a forma que os receptores as interpretam, seremos capazes, por exemplo, de criar qualquer odor que quisermos”, acredita.

A tarefa, contudo, é árdua. Segundo o biólogo, ao se combinar, os 400 receptores individuais dos estímulos olfativos definem não só a qualidade, mas a intensidade de um aroma. “Considerando que o ser humano é capaz de identificar cerca de 10 mil diferentes cheiros, entre bons e ruins, decifrar a maneira como os receptores codificam os odores é um desafio muito grande. Temos de descobrir ainda como, no cérebro, os sinais elétricos enviados pelas células receptoras se transformam no odor”, reconhece. “Mas acredito que estamos no caminho certo”, diz.

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