“Nós constatamos que cada indivíduo tem um conjunto extremamente personalizado de receptores olfativos que afetam sua percepção do odor”, conta o biólogo molecular Joel Mainlaind, principal autor do estudo. O mercado de perfumes e fragrâncias — importantes não só para a cosmética, mas na confecção de produtos de limpeza, gastronômicos e até farmacêuticos — está em expansão, com previsão de movimentar US$ 45,6 bilhões em todo o mundo em 2018. De acordo com Mainlaind, para se sobressair nesse setor, é preciso inovação. “Cada vez mais, temos de entender o que faz, do ponto de vista molecular, uma fragrância ser percebida como boa. Ao compreender como essas moléculas se combinam e a forma que os receptores as interpretam, seremos capazes, por exemplo, de criar qualquer odor que quisermos”, acredita.
A tarefa, contudo, é árdua. Segundo o biólogo, ao se combinar, os 400 receptores individuais dos estímulos olfativos definem não só a qualidade, mas a intensidade de um aroma. “Considerando que o ser humano é capaz de identificar cerca de 10 mil diferentes cheiros, entre bons e ruins, decifrar a maneira como os receptores codificam os odores é um desafio muito grande. Temos de descobrir ainda como, no cérebro, os sinais elétricos enviados pelas células receptoras se transformam no odor”, reconhece. “Mas acredito que estamos no caminho certo”, diz.