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Estado de Minas

Cientistas descobrem inseto com órgãos genitais invertidos

Em cavernas brasileiras, cientistas descobrem fêmea de inseto que tem uma espécie de pênis, usado para penetrar o macho. A troca inédita de papéis poderá aprofundar os estudos sobre a evolução sexual dos bichos


postado em 19/04/2014 08:00 / atualizado em 18/04/2014 22:21


As cavernas brasileiras escondem criaturas com uma vida sexual, no mínimo, incomum: quatro espécies de insetos cujas fêmeas têm pênis, e os machos, vagina. O troca-troca da natureza foi tema de um artigo publicado, nesta semana, na revista especializada Current Biology, no qual uma equipe formada por um cientista brasileiro, dois japoneses e um suíço descrevem os bichos de órgãos invertidos. Esse é o primeiro caso registrado pela ciência, um fenômeno que pode mudar a forma como os estudiosos estudam a evolução animal.

De acordo com a teoria de Kazunori Yoshizawa, da Escola de Agricultura da Universidade de Hokkaido, a origem da inversão sexual pode estar no ambiente precário em que os insetos brasileiros vivem. Todos eles foram encontrados em cavernas secas, onde a única fonte de alimento disponível são carcaças e fezes de morcegos. “É de conhecimento geral que, em ambientes onde a comida é escassa, o material seminal estimula fêmeas a copular com mais frequência. Como resultado, isso causa uma competição sexual entre fêmeas por esse material”, ensina o especialista em seleção sexual.

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Mesmo quando os gametas não estão maduros o suficiente para a fecundação, elas procuram os machos em busca do material nutritivo. “Colocamos os bichos para cruzar e, depois, vimos que as bolsas de esperma estavam vazias. Mas o esperma não foi usado para fecundar nada. E, se ele foi absorvido, podia estar sendo usado para outros recursos”, especula Rodrigo Ferreira, pesquisador da Universidade Federal de Lavras (UFL) e responsável pela descoberta dos insetos.

Acredita-se que a falta de nutrientes tenha tornado o macho mais seletivo em relação a suas parceiras, obrigando a fêmea a passar por uma mudança ao longo de milhares de anos. Para sobreviver, elas tiveram de desenvolver a genitália até obter uma ferramenta mais eficiente de coerção sexual: o ginossoma. As quatro espécies (curvata, aurora, truncata e brasiliensis) desenvolveram órgãos de formato um pouco diferente, mas com a mesma função: depois que as fêmeas penetram os machos para ter acesso ao duto seminal, os pênis incham, engatando um conjunto de espinhos na base do órgão que fixam os insetos nessa posição.

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