Jornal Correio Braziliense

Ciência e Saúde

Estudo sugere que a vida em comunidade suavizou a feição humana

Segundo a publicação, a transformação dos traços faciais ao longo da evolução se deve à redução dos níveis de testosterona, estimulada, por sua vez, pela formação de grupos sociais

Os primeiros indícios de homens modernos datam de, aproximadamente, 200 mil anos atrás, na África. Depois disso, o Homo sapiens levou 150 milênios para perceber que a sobrevivência não era uma questão de força, mas de jeito. Conviver de forma harmônica em grupos era uma estratégia mais inteligente para enfrentar os desafios da natureza, e a substituição da agressividade pela tolerância social permitiu diversos avanços, como o surgimento das sociedades complexas e dos pensamentos abstratos. De acordo com um novo estudo das universidades de Duke e de Utah, nos Estados Unidos, todo esse processo só foi possível graças à redução de um ingrediente na composição humana: a testosterona. Segundo os autores da pesquisa, a sociabilidade aumentou à medida que os níveis do hormônio no organismo diminuíram. E as evidências do processo, dizem os cientistas, estão na cara: após a revolução cultural, os traços faciais de nossos antepassados tornaram-se cada vez mais suaves.


Registros arqueológicos demonstram que a evolução cultural e social só ocorreu entre 80 mil e 30 mil anos atrás, quando novas tecnologias, ferramentas e artefatos confeccionados com couro, ossos e chifres começaram a despontar. Esse período de rápida inovação tecnológica é contemporâneo à mais antiga evidência de comportamento simbólico e pensamento abstrato, que foi registrado na forma de processamento de pigmentos, adornos pessoais e instrumentos musicais.

Juntos, esses indícios sinalizam o início do que os pesquisadores chamam de ;modernidade comportamental;. A hipótese levantada por Robert Cieri, principal autor do estudo, é que esse evento foi facilitado pela mudança da conduta humana, que, com o tempo, ficou menos agressiva e mais tolerante. Ele explica que a alteração no temperamento pode ser aferida a partir de mudanças na estrutura facial geradas pela redução de hormônios masculinos. Isto é, menos agressividade é consequência de menos testosterona, que pode ser medida nas dimensões ósseas do crânio de um indivíduo.

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