Ciência e Saúde

Estudo sugere que a vida em comunidade suavizou a feição humana

Segundo a publicação, a transformação dos traços faciais ao longo da evolução se deve à redução dos níveis de testosterona, estimulada, por sua vez, pela formação de grupos sociais

Isabela de Oliveira
postado em 08/08/2014 06:03
Os primeiros indícios de homens modernos datam de, aproximadamente, 200 mil anos atrás, na África. Depois disso, o Homo sapiens levou 150 milênios para perceber que a sobrevivência não era uma questão de força, mas de jeito. Conviver de forma harmônica em grupos era uma estratégia mais inteligente para enfrentar os desafios da natureza, e a substituição da agressividade pela tolerância social permitiu diversos avanços, como o surgimento das sociedades complexas e dos pensamentos abstratos. De acordo com um novo estudo das universidades de Duke e de Utah, nos Estados Unidos, todo esse processo só foi possível graças à redução de um ingrediente na composição humana: a testosterona. Segundo os autores da pesquisa, a sociabilidade aumentou à medida que os níveis do hormônio no organismo diminuíram. E as evidências do processo, dizem os cientistas, estão na cara: após a revolução cultural, os traços faciais de nossos antepassados tornaram-se cada vez mais suaves.


Registros arqueológicos demonstram que a evolução cultural e social só ocorreu entre 80 mil e 30 mil anos atrás, quando novas tecnologias, ferramentas e artefatos confeccionados com couro, ossos e chifres começaram a despontar. Esse período de rápida inovação tecnológica é contemporâneo à mais antiga evidência de comportamento simbólico e pensamento abstrato, que foi registrado na forma de processamento de pigmentos, adornos pessoais e instrumentos musicais.

Juntos, esses indícios sinalizam o início do que os pesquisadores chamam de ;modernidade comportamental;. A hipótese levantada por Robert Cieri, principal autor do estudo, é que esse evento foi facilitado pela mudança da conduta humana, que, com o tempo, ficou menos agressiva e mais tolerante. Ele explica que a alteração no temperamento pode ser aferida a partir de mudanças na estrutura facial geradas pela redução de hormônios masculinos. Isto é, menos agressividade é consequência de menos testosterona, que pode ser medida nas dimensões ósseas do crânio de um indivíduo.

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