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Estado de Minas

Personalização do tratamento contra o câncer preserva células saudáveis

Personalização da medicina para um tratamento mais eficaz contra os tumores preserva as células saudáveis e leva esperança a pacientes


postado em 02/09/2014 06:03 / atualizado em 02/09/2014 09:13

O tratamento do câncer começou a mudar a partir do Projeto Genoma Humano, concluído em 2003, que mapeou toda a sequência do DNA(foto: Arte/EM)
O tratamento do câncer começou a mudar a partir do Projeto Genoma Humano, concluído em 2003, que mapeou toda a sequência do DNA (foto: Arte/EM)


Belo Horizonte — O câncer não é mais visto como uma única doença. Técnicas cada vez mais modernas permitem identificar as alterações genéticas que estimulam o crescimento das células cancerígenas de cada tipo de tumor. Com isso, os tratamentos passam a ser direcionados a alvos específicos e os ganhos na oncologia se mostram expressivos. As novas opções terapêuticas levam esperança para os pacientes e indicam que a medicina personalizada, uma realidade em todo o mundo, pode ser mesmo promissora.

O tratamento do câncer começou a mudar a partir do Projeto Genoma Humano, concluído em 2003, que mapeou toda a sequência do DNA. Em seguida, surgiram análises moleculares precisas, que permitiram dividir a doença de acordo com a alteração genética relacionada a cada tumor. Já se sabe, por exemplo, que existem mais de 30 tipos de câncer de pulmão. “O câncer está sendo estratificado segundo alterações moleculares passíveis de serem combatidas por medicamentos específicos. É como se estivéssemos tratando doenças completamente diferentes. Entre elas, doenças raras, que atingem 1% dos pacientes”, informa o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Evanius Wiermann.

Os avanços apontam para o que se chama de medicina personalizada, em que medicamentos são desenvolvidos para combater um determinado tipo de tumor. A terapia-alvo é uma das estratégias que revolucionaram o tratamento do câncer por ser capaz de atingir partes específicas das células cancerígenas, oferecendo menos danos às células saudáveis e reduzindo efeitos colaterais. “Individualizar o tratamento não é nada mais que conhecer melhor a doença, descobrir o que está ocorrendo e usar a droga certa. Se sei que as células cancerígenas precisam de novos vasos sanguíneos para se desenvolver, vou inibir o processo”, esclareceu Carlos Barrios, diretor do Grupo Latino Americano de Pesquisa em Oncologia (Lacog) e do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. “Poderei não curar, pois o câncer é inteligente e cria outros mecanismos, mas vou mudar o curso da doença.”

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Os primeiros a se beneficiarem da terapia-alvo foram pacientes diagnosticados com leucemia mieloide crônica, que passaram a ser tratados com inibidores de tirosina quinase, remédios que conseguem destruir a proteína ligada ao crescimento das células cancerígenas. A doença é controlada de tal maneira que os pessoas vivem décadas com qualidade de vida e virtualmente curados. As novas drogas também aumentam a sobrevida de pacientes com câncer de pulmão originado por uma mutação genética específica. Eles chegam a viver três vezes mais. “Estamos caminhando para descobrir outras moléculas que podem ser alvo de bloqueio. Não quer dizer que vamos ficar sem o tratamento convencional com quimioterapia, mas significa que, às vezes, vamos associá-lo com outros medicamentos”, pontua o diretor de relações institucionais do Cetus Hospital Dia, Charles Pádua.

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