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Estado de Minas

"Epilepsia não compromete competência profissional", diz especialista

Dia de combate ao transtorno, lembrado hoje, busca vencer o preconceito que ainda recai sobre os pacientes


postado em 09/09/2014 08:26 / atualizado em 09/09/2014 09:50

Belo Horizonte — Aos 3 anos, M.J*, hoje com 50, teve a primeira crise. Tremia e se debatia sem que a família, que morava na Zona da Mata mineira, entendesse o que ocorria. Começariam então viagens mensais até o Rio de Janeiro para várias consultas até que se fechasse o diagnóstico: epilepsia.

De lá para cá, medicado, o paciente teve algumas crises esporádicas, mas não pode se considerar livre dessa possibilidade. A última aconteceu no mês passado, enquanto via televisão durante o café da manhã. Caiu da cadeira e começou a se debater. O pai, mais uma vez, foi o espectador da agonia do filho. Quando a crise passou, M.J não se lembrava de nada. Levado ao médico, teve a medicação alterada e está bem.

Estima-se que entre 1% e 3% da população mundial seja acometida pelo mal, que é lembrado hoje, Dia Nacional e Latino-Americano de Combate à Epilepsia. A data busca principalmente combater a desinformação e o preconceito contra os portadores. Segundo a Liga Brasileira de Epilepsia (LBE), trata-se de um distúrbio neurológico crônico, uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, que se expressa por crises recorrentes.

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Por se tratar de um problema crônico, a prevenção é possível? Para a neurofisiologista clínica Andréa Julião de Oliveira, membro da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica (SBNC), algumas medidas podem ser adotadas. “Na verdade, grande parte da doença pode ser prevenida, como é feito com intensidade em países mais desenvolvidos. Por exemplo, nos cuidados com o parto ou no tratamento de infecções do sistema nervoso. Isso, além de uma política de saneamento básico, já que a doença pode, também, ser causada pelo ovo da solitária no cérebro, a neurocisticercose, proveniente de alimentos infectados por fezes”, explica.

Tipos de crise

-  A tônico-clônica ou convulsão afeta metade dos pacientes. Atinge todo o cérebro. A pessoa fica rígida, cai no chão e se debate. As extremidades do corpo tremem.

-  Os sintomas nos outros 50% dos pacientes são variados. Algumas pessoas sentem o braço formigar. A sensação é seguida de pequenos abalos, que acontecem por causa da região afetada do cérebro. Outras sentem cheiros estranhos por alguns segundos e ficam inconscientes. Essa é a crise parcial complexa, com turvação da consciência.

-  Nas crianças, a epilepsia se apresenta na forma de crises de ausência. Ela pode ter vários acessos por dia — às vezes, mais de 100 — e em poucos minutos de duração.

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