No quebra-cabeça da evolução humana, há uma peça de difícil encaixe. Trata-se do senso de justiça, aquele sentimento que faz com que uma pessoa tome as dores de um desconhecido sem, aparentemente, tirar vantagem disso. Se o objetivo é garantir a manutenção dos próprios genes, parece pouco inteligente agir de forma altruísta em situações envolvendo estranhos. Como, por exemplo, dar uma bronca no filho porque ele pisou no pé da criança do vizinho. Essa, contudo, pode ser uma sofisticada estratégia de convivência adquirida pelos primatas para ganhar benefícios sociais.
Contudo, para que essa situação ocorra, é preciso um refinamento cognitivo até agora não verificado em outras espécies além dos primatas. Enquanto os cães e os pássaros demostram insatisfação ao se sentirem ;passados para trás;, apenas humanos, macacos e símios protestam contra a injustiça praticada com outros, mesmo que a situação não os afete diretamente. Isso porque eles conseguem antecipar a reação alheia e sabem que a consequência pode ser um abalo no sistema de cooperação. ;Essa pressão pelo aumento da cooperação combinada com habilidades cognitivas avançadas e controle emocional permitiram aos humanos desenvolver um senso completo de justiça;, define Frans de Waal, cientista do Centro Nacional de Pesquisa Primata Yerkes e da Universidade de Emory. Ele assina, com Sarah Brosan, um artigo sobre a percepção da equidade na edição desta semana da revista Science.
A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui.