Ciência e Saúde

Bactérias fortalecem o escudo natural do cérebro durante a gestação

Estudo com ratos indica que, durante a gestação, a flora intestinal da mãe interfere na formação da barreira hematoencefálica do filhote. O tecido escolta o órgão da ação de toxinas e micro-organismos

Bruna Sensêve
postado em 20/11/2014 06:09
Há mais de 100 anos, cientistas descobriram, por meio de um experimento simples, que as substâncias que circulam pelo sangue no corpo não ;andam; necessariamente pela cabeça. Eles injetaram uma tinta azul na corrente sanguínea de uma cobaia e os tecidos do corpo do animal ficaram com a coloração escolhida, menos o do sistema nervoso central. O fenômeno, acreditaram, ocorreu devido à existência de uma barreira que evitaria a entrada de algumas substâncias no cérebro. Confirmada a hipótese, pesquisas na área começaram a fervilhar, mas sem explicar definitivamente como esse escudo natural é formado e como seria possível driblá-lo.

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Uma grande descoberta nesse sentido vem de uma pesquisa sueca publicada hoje na revista Science Translational Medicine. Os cientistas replicaram o primeiro experimento que provou a presença da barreira hematoencefálica e voltaram as atenções para um diferencial: a interferência de micro-organismos que residem naturalmente no intestino humano. Outra particularidade do trabalho é que os testes foram feitos com cobaias prenhas. A flora intestinal delas interferiu na formação da barreira cerebral dos filhotes de rato.

;Nós mostramos que a presença dessa microbiota durante os últimos estágios da gravidez bloqueou a passagem de substâncias da circulação para o cérebro do feto em crescimento;, detalha Viorica Braniste, do Departamento de Microbiologia do Instituto Karolinska, na Suécia. Segundo a pesquisadora, o transporte de moléculas através da barreira hematoencefálica pode ser modulado por micróbios do intestino da mãe. Dessa forma, fatores ambientais relacionados, como a dieta, podem alterar os genes responsáveis pela formação e pela manutenção do tecido protetivo.



Os cientistas chegaram a essa conclusão comparando a integridade e o desenvolvimento do bloqueio entre dois grupos de camundongos. O primeiro foi composto por cobaias expostas a bactérias normais; e o segundo, por animais mantidos em ambiente estéril (veja infográfico). Depois, repetiram o experimento centenário, mas, em vez de tinta azul, injetaram anticorpos com um tamanho suficientemente grande para não ultrapassar a barreira hematoencefálica típica. Os dados coletados mostraram um vazamento no tecido protetivo dos animais que ficaram livres de germes na fase intrauterina. A característica manteve-se na vida adulta.

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