Ciência e Saúde

Corpos que seriam de mortos-vivos do século 18 são encontrados na Polônia

Medalhas de santos nos caixões e pedras na boca para impedir mordidas eram algumas das estratégias usadas nos sepultamentos

Paloma Oliveto
postado em 30/11/2014 08:02

Um dos corpos foi enterrado com uma foice sobre o pescoço. Caso a pessoa se tornasse vampira e tentasse se levantar, seria degolada

Durante dois séculos, o condado de Drawsko, na Polônia, foi assombrado por vampiros. Os moradores dessa cidadela rural localizada no nordeste do país europeu armaram-se da forma que podiam. Ao enterrarem as criaturas das trevas, certificavam-se de que elas não voltariam para assombrar o vilarejo, depositando medalhas santas nas sepulturas, colocando pedras pesadas sobre seus corpos ou pregando os cadáveres com barras de ferro.

A estratégia deu certo. Em 2008, os vampiros ainda jaziam em suas antigas covas. Foram descobertos por arqueólogos que escavavam um cemitério medieval. No meio dos trabalhos, eles se depararam com algo completamente inesperado: três corpos sujeitados a um tratamento post-mortem nada ortodoxo. Dois, pertencentes a adultos, tinham foices na região da garganta. O terceiro, de um jovem, havia sido amarrado e, em sua boca, os aldeões encerraram uma enorme pedra. Em uma terra onde o folclore dos mortos-vivos é extremamente arraigado, os pesquisadores não tiveram dúvidas: aquele era um enterro de vampiros.





;Entre 2008 e 2012, foram escavados 285 corpos em Drawsko, de todas as idades e sexos. Desses, pelo menos seis eram o que chamamos de ;enterro de depravado;, ou seja, funerais que diferem do ritual padrão de uma determinada cultura. No caso do leste europeu, os enterros de depravados ocorriam, quase que exclusivamente, quando morria alguém que eles acreditavam correr risco de se tornar vampiro;, explica o antropólogo polonês Marek Polcyn, pesquisador da Universidade de Lakehead, no Canadá. Na edição mais recente da revista Plos One, o especialista em cultura europeia pré-histórica e medieval publicou um artigo no qual analisa o contexto histórico do estranho rito de sepultamento daquelas pessoas.

Os seis esqueletos estudados, todos muito bem-preservados, haviam sido submetidos a diversos rituais. Um deles estava com uma foice na garganta e outro no abdômen ; uma tentativa de remover a cabeça ou abrir o intestino caso tentassem sair da sepultura. Dois também tinham pedras sob as bochechas, provavelmente para bloquear a garganta ou evitar que mordessem vítimas. Em outra cova, há medalhas de São Benedito ; muito associado à luta contra a malignidade ; e moedas. Acreditava-se que esses objetos afastariam os espíritos ruins.

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