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Estado de Minas

Macacos aprendem a se reconhecer no espelho, segundo cientistas

Resultado inédito obtido por cientistas da China abre a possibilidade de novos tratamentos para humanos com distúrbios que podem comprometer a autoidentificação, como o Alzheimer e o autismo. Animais apresentaram a habilidade após treinamento com laser


postado em 09/01/2015 07:10

Macaco rhesus se identifica no espelho após treinamento de até cinco semanas: avanços no estudo de circuitos neurológicos(foto: Neng Gong and colleagues/Current Biology 2015 )
Macaco rhesus se identifica no espelho após treinamento de até cinco semanas: avanços no estudo de circuitos neurológicos (foto: Neng Gong and colleagues/Current Biology 2015 )


Diferentemente do que acontece com humanos e grandes primatas, como os gorilas e os chimpanzés, o macaco rhesus não consegue reconhecer o próprio reflexo no espelho. O que não significa que ele não possa aprender. De acordo com um artigo publicado na revista Current Biology, o cérebro desse animal tem um mecanismo que permite desenvolver a habilidade de autoconhecimento, só é necessário que seja treinado. Foi o que fizeram cientistas do Instituto de Neurociência e do Laboratório de Neurobiologia Primata da Academia Chinesa de Ciência (CAS, siga em inglês), ambos na China.

“Nós queríamos tentar algo novo. A capacidade desses macacos reconhecerem seu reflexo é importante para uma comparação cognitiva, e vinha sendo estudada por muito tempo sem sucesso”, conta Neng Gong, responsável pelo experimento feito com o auxílio de laser. Em outros métodos, os rhesus não foram aprovados no teste de se reconhecer no espelho. “Mesmo com todos os esforços de prolongar o tempo em frente ao objeto, de começar os testes com os animais ainda jovens ou de mudar o tamanho e a forma dos espelhos”, complementa o pesquisador.

Diante do sucesso do treinamento com os animais, Gong acredita que há uma esperança de o mesmo método ser eficiente para o tratamento de pessoas que não conseguem reconhecer o próprio reflexo devido a algum distúrbio, como a doença de Alzheimer, a esquizofrenia e o autismo. “Nossos resultados aumentam a possibilidade de remediar essas deficiências”, aposta.

O estudo dos circuitos neurológicos também é beneficiado com a pesquisa. “O autoconhecimento é uma das funções mais importantes do nosso cérebro, principalmente para comportamentos sociais — como simpatia e empatia — e para a linguagem. Saber como funcionam o autoconhecimento e a consciência é fundamental para entender mecanismos importantes do cérebro. Demonstrar que é possível treinar macacos para se reconhecerem no espelho nos dá a chance de estudar, em um animal, o que mudou nos circuitos neurológicos para que o autoconhecimento fosse desenvolvido”, explica Gong.

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