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Estado de Minas

14 perguntas e respostas sobre o coletor menstrual: usar ou não?

No Brasil, o assunto ainda é tabu, inclusive entre médicos. Mas quem usa afirma que o produto é confortável, com baixo risco de infecções, econômico e ecologicamente correto


postado em 02/03/2015 19:30 / atualizado em 03/03/2015 12:04

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)


Nos últimos anos, mais brasileiras se tornaram adeptas do coletor menstrual, mesmo assim o assunto ainda é um tabu para a maioria das mulheres. Inclusive, se esta for a primeira vez em que você ouve falar em coletor menstrual, saiba que ele existe desde a década de 30.

O coletor menstrual é um copinho de silicone hipoalérgico e antibacteriano, ajustável ao corpo e que coleta o sangue da menstruação. Ele é maleável, o que facilita na hora de colocar na vagina. Diferente do absorvente interno, que é inserido ao fundo do canal vaginal, o coletor fica na entrada da vagina.

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No Brasil, os preços variam R$ 85 e R$ 155, mas é difícil encontrá-lo em farmácias. Porém, algumas empresas vendem pela internet. O tamanho varia. Existem marcas que oferecem até quatro tamanhos de coletor menstrual, mas a maioria vende apenas dois tamanhos: um para a mulher que já teve filhos e o outro para quem não tem. Se for colocado corretamente, não corre risco de o sangue vazar, a menos que a  mulher tenha um fluxo muito intenso.

A professora Iara Araújo, 23 anos, usa o coletor menstrual há oito meses. Começou usando o absorvente comum, depois o interno, mas os dois tipos a incomodavam. “Sempre achei nojento o contato do sangue com a pele e já tive reação alérgica ao absorvente comum. Mudei para o interno, mas ainda sentia desconforto. Pesquisei sobre outro meio e descobri o coletor”, explicou Iara. Além disso, para ela, o “copinho de silicone” é mais confortável, sustentável e econômico.

Não existem contra-indicações, mas não é aconselhável para mulheres que nunca tiveram relações sexuais, pois ao colocar ou retirar o coletor, o hímen pode se romper. É imprudente também nos primeiros dias após dar à luz.

(foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)


Segundo a chefe da ginecologia no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), Lucila Nagata, as pacientes que usam coletor ainda são minoria. “Culturalmente, o absorvente externo é o mais comum. Além disso, mais fácil de ser comprado e com menos tabus”, explica a ginecologista. Ela defende ainda que o coletor é a melhor opção para quem já teve reação alérgica aos outros tipos de absorventes.

A ginecologista Isa Maria de Mello é contra o uso do coletor menstrual. Para ela, não existem justificativas para reaproveitar algo que é colocado dentro do corpo. “É anti-higiênico. Na era moderna, não faz sentido reaproveitar algo, se posso jogar fora. Digo como médica e como mulher, isso remete ao tempo da toalhinha”, frisa a médica.

Curiosidades
Durante a vida, uma mulher usa, em média, mais de 10 mil absorventes, seja ele externo ou interno. O externo leva 100 anos para se degradar na natureza, enquanto o interno leva até um ano. O coletor menstrual é ecologicamente correto.

Por ano, a mulher gasta cerca de R$ 100 com absorvente externo. Em 10 anos, ela terá gasto R$ 1 mil. Então a economia é no mínimo de R$ 915. O grupo Coletores Brasil reúne mulheres que se interessam sobre o assunto e compartilham experiências.

(foto: Reprodução/Internet)
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Tira-dúvidas

Como colocar?
Basta dobrar o coletor e inseri-lo na vagina, lembrando que não precisa empurrá-lo até o fundo, igual o absorvente interno. Ao colocar ele todo, o coletor vai abrir e fazer um barulhinho, o que significa que foi colocado corretamente.

Quanto tempo dura?
Higienizado de forma correta, de cinco a dez anos.

Como devo higienizar o coletor menstrual?
Com água fria e sabão neutro. A cada ciclo, o ideal é limpar com água fervente.

Devo esvaziar o coletor com qual intervalo de tempo?
Isso depende do fluxo menstrual de cada mulher. Se for intenso, a cada 6 horas. Mas pode chegar até 12 horas direto, com fluxo normal.

Posso ter candidíase ou outras doenças por usar o coletor?
Os fungos gostam de calor e umidade, então se a mulher já tiver uma pré-disposição à doença, não fizer a higienização do coletor corretamente, for para a piscina e ficar horas com o biquíni úmido, pode correr o risco. Caso contrário, o uso do coletor não causa infecções.

O cheiro é forte?
Como o sangue não entra em contato com algodão ou oxigênio, o odor é bem menor comparado aos outros tipos de absorventes.

Atrapalha ao urinar?
Não.

Incomoda?
Nas primeiras vezes sim. Mas depois que a mulher consegue colocar do jeito correto é mais confortável do que os outros tipos de absorventes.

Posso praticar esportes?
Sim. Com o coletor a mulher pode malhar, nadar, correr. No caso de fluxo intenso, é aconselhável esporte com menor impacto.

Qual o tamanho e para que serve a haste do coletor?
O tamanho é entre 7cm e 9cm. A haste serve para retirá-lo da vagina. Ela deve ser cortada até a mulher achar o tamanho ideal, para não incomodar quando estiver dentro do corpo.

Posso dormir com ele?

Sim.

Melhor forma de higienização?

Durante o banho.

Interfere na lubrificação vaginal ou altera o PH da vagina?
Não. O coletor menstrual não absorve nada. Ele apenas coleta o sangue, diferente dos outros tipos de absorventes. E não altera o PH vaginal.

Posso emprestar para uma amiga?

Não. É de uso pessoal e intransferível, para evitar transmissão de doenças.

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