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Estado de Minas

Entre 96 países, Brasil fica na 56ª posição no ranking de qualidade de vida

O sistema previdenciário nacional é elogiado, mas condições de segurança e transporte público precisam melhorar


postado em 10/09/2015 06:05


O idoso brasileiro está vivendo mais, mas a qualidade desses anos ainda deixa a desejar. A informação faz parte do último relatório Global agewatch index, que avalia os melhores lugares para viver na terceira idade. Entre as 96 nações analisadas pelo índice, divulgado ontem, o Brasil figurou o 56º lugar. O documento mostra que, no país, os cidadãos acima de 60 anos têm, em média, 21 anos a mais pela frente, tempo compatível com a média mundial. No entanto, a falta de acesso a serviços básicos, como transporte e segurança, compromete a qualidade de vida da população nessa faixa etária.

A longevidade é apenas um dos 13 indicadores considerados no trabalho, que avalia anualmente a qualidade de vida dos idosos no mundo. O levantamento leva em conta quatro categorias mais amplas: segurança de renda, saúde, ambiente propício para os idosos e condições de emprego e de educação. Em primeiro lugar no ranking está a Suíça, seguida pela Noruega, pela Suécia e pela Alemanha (leia mais abaixo).

A posição brasileira representa uma tímida melhora em relação ao levantamento feito no ano passado, quando o país aparecia no 58º lugar. No grupo de nações da América Latina e do Caribe, o Brasil fica em 12º, e é o segundo melhor colocado dos BRICS, atrás apenas da China. O ponto forte do país se destaca pelo amplo programa de previdência, que atende 86% dos idosos e mantém grande parte da população mais velha fora da linha da pobreza — na maioria dos países de baixo e médio rendimento, apenas uma em cada quatro pessoas acima dos 65 anos recebe uma pensão.

No entanto, o posicionamento do Brasil é prejudicado por problemas que afetam não somente os idosos, mas também cidadãos brasileiros de outras idades. “O Brasil não é tão bom em fornecer um ambiente propício para o envelhecimento. O medo de crimes e o acesso precário ao transporte público são grandes questões para os idosos brasileiros”, analisa Asgar Zaidi, professor de políticas sociais internacionais na Universidade de Southampton (Reino Unido) e um dos autores do trabalho, coordenado pela HelpAge International, organização que se dedica a melhorar a vida de pessoas na terceira idade.

Soluções incompletas
Além de planos de aposentadoria e do acesso universal à saúde, o trabalho revela que os melhores países para se envelhecer também investem há décadas em mudanças sociais e ambientais voltadas especialmente para os idosos. Dos 21 anos de vida que o brasileiro dispõe depois que chega à terceira idade, apenas 16 são considerados “saudáveis” pelo relatório internacional. “O Brasil possui um SUS, que presta uma atenção universalizada. Então, é notável que, mesmo com tantos benefícios, nós não conseguimos ficar numa posição melhor no índice. Isso chama a atenção para o fato de que nossas soluções não estão atendendo nossos problemas. Avançamos, mas, talvez, não estejamos conseguindo dar um sentido de vida, um valor social para o idoso”, acredita Otávio Nóbrega, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no DF (SBGG-DF).

De acordo com o especialista, idosos com pior qualidade de vida não são necessariamente os mais doentes. Cidadãos da terceira idade sofrem com questões como o abandono, falta de ocupação e carência por atividades que atendam suas necessidades especiais. “A qualidade de vida é provavelmente mais determinada pelo ambiente social do que propriamente pelo estado geral de saúde. Hoje, uma premissa muito importante não é somente evitar o envelhecimento e as morbidades, mas também tentar remediar e controlar as limitações físicas, intelectuais e cognitivas que podem acontecer com o envelhecimento”, aponta Nóbrega, que também é professor na Universidade de Brasília (UnB).

 

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